Mais de mil residências serão erguidas no Complexo Residencial TC Neto após disputa fundiária

Mais de mil residências poderão ser construídas no futuro Complexo Residencial TC Neto, localizado na zona do Campus Universitário, no município da Camama, em Luanda, após vários anos de conflitos fundiários envolvendo a empresa Konda Marta, supostas altas patentes da Polícia Nacional (PN), das Forças Armadas Angolanas (FAA) e agentes da fiscalização da Administração Municipal da Camama.

O acto de lançamento da primeira pedra decorreu neste sábado, 16, e contou com a presença de centenas de camponesas e famílias beneficiárias do projecto, que celebraram a restituição da posse do terreno, decidida pelo Tribunal da Comarca, bem como a emissão da Licença de Construção pelo Instituto Público de Gestão Urbana de Luanda (IPGUL), órgão afecto ao Governo Provincial de Luanda (GPL).

Segundo os promotores, o projecto habitacional surge como resposta às dificuldades enfrentadas por várias famílias consideradas vulneráveis, que há anos reivindicam a legalização dos terrenos ligados à empresa Konda Marta.

O Presidente do Conselho de Administração da empresa, Daniel Afonso Neto, afirmou que a concretização do projecto representa o desfecho de uma longa batalha judicial e administrativa.

“Depois de muitas batalhas, finalmente o processo está concluído. Passámos por várias dificuldades, incluindo detenções sem julgamento e congelamento das minhas contas bancárias. Mas hoje conseguimos alcançar este objectivo. Aqui serão construídas mais de 500 casas para beneficiar a população residente nesta zona”, declarou.

Daniel Neto acrescentou ainda que a empresa prevê expandir o projecto habitacional nos próximos tempos, com a meta de ultrapassar mil famílias beneficiadas.

“O nosso objectivo é continuar a desenvolver novos projectos habitacionais para atender mais famílias necessitadas”, sublinhou.

O representante da construtora responsável pela obra, identificado apenas por Cheng, garantiu que os trabalhos serão executados com padrões de qualidade e deverão estar concluídos no prazo de um ano.

“A empresa está aqui para ajudar a construir casas dignas e bonitas para a população. A previsão é concluir a obra dentro de um ano”, afirmou.

Durante a cerimónia, várias camponesas ligadas ao projecto relataram os momentos difíceis vividos ao longo do conflito pelos terrenos.

Joana Miguel Magita, que afirmou ter permanecido detida durante seis meses sob acusações de calúnia, difamação e associação criminosa, disse que pretende continuar a luta em defesa das famílias afectadas.

“Durante a detenção fui maltratada nas esquadras, mas nunca perdi a fé em Deus. Hoje estou de volta para continuar esta batalha até ao fim”, contou.

Outra beneficiária, Fernanda Martins, manifestou satisfação com o início das obras e recordou os períodos de sofrimento enfrentados pelas famílias.

“Vivíamos no sofrimento. Muitas vezes as nossas casas eram destruídas, especialmente em períodos de frio e chuva. Hoje sentimos que uma nova esperança começa para todos nós”, afirmou.

Também emocionada, Isabel Soares destacou os sacrifícios enfrentados pelas mulheres ao longo do processo.

“Muitas mães foram feridas e algumas ficaram deficientes. Hoje estamos felizes porque esta luta trouxe resultados e esperamos nunca mais passar pelo mesmo sofrimento”, disse.

O lançamento do Complexo Residencial TC Neto marca, assim, o início de uma nova fase para centenas de famílias da Camama, que aguardam há vários anos por melhores condições habitacionais.

Entretanto, recentemente, o administrador adjunto para a área técnica da Camama, Paciência Caringe, negou qualquer envolvimento da Administração Municipal na alegada demolição de um muro pertencente à empresa Konda Marta. O responsável desafiou a empresa a apresentar provas que sustentem as acusações, para o devido apuramento dos factos.

Em reacção, o advogado da empresa Konda Marta, Salvador Freire, garantiu que será submetido um processo-crime junto da Procuradoria-Geral da República (PGR), visando a responsabilização criminal dos envolvidos pelos alegados danos causados.

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