O Ministério da Cultura manifestou profundo pesar pela morte do músico angolano António Manuel Fernandes, artisticamente conhecido como “Nanuto”, ocorrida esta sexta-feira, 15 de Maio, em Lisboa, Portugal, vítima de doença, aos 68 anos de idade.
Em nota de condolências, o ministério destacou o percurso artístico e o contributo cultural do saxofonista, considerado um dos primeiros músicos africanos a ousar desenvolver uma carreira a solo no universo da música instrumental.
Natural do Sambizanga, em Luanda, onde nasceu em 1957, Nanuto iniciou o seu percurso musical na Casa dos Rapazes de Luanda, tocando bateria, antes de trocar o instrumento pelo clarinete aos nove anos de idade. Ao longo da sua carreira, estudou música em Portugal, Cuba, Estados Unidos e República Dominicana, tendo realizado actuações e intercâmbios artísticos em vários países.
O artista construiu uma discografia marcada pela fusão de estilos como semba, kilapanga, afrobeat e bossa-nova. Entre os seus trabalhos mais conhecidos constam os álbuns “Marés” (1996), “Kizofado” (2000), “Luandei” (2005), “Bisa” (2009), “Ximbika” (2012) e “Gato Viju”, lançado em Novembro de 2021.
Ao longo da trajectória musical, Nanuto colaborou com diversos artistas nacionais e internacionais, incluindo músicos dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) residentes em Portugal, bem como nomes como Pablo Milanés, Luís Represas, Martinho da Vila, Simone, Daniela Mercury e Leci Brandão.
Em nome do ministro da Cultura, Filipe Silvino de Pina Zau, e dos funcionários do sector, o ministério endereçou condolências aos familiares e amigos do artista.
“A sua alma descanse em paz e que a sua obra permaneça viva na memória de todos nós. Angola perde um cidadão de grande dimensão humana, intelectual e cultural”, refere a nota divulgada pelo Gabinete de Tecnologias de Informação, Comunicação Institucional e Imprensa do Ministério da Cultura.