Director escolar detido na Nharea denuncia perseguição após ser libertado

O director de uma das escolas do município da Lúbia, província do Bié, Júlio Avelino Salukamba, foi colocado em liberdade nesta quarta-feira 1, após permanecer detido durante três dias numa esquadra do município da Nharea.

Segundo o responsável, a detenção ocorreu na sequência do acompanhamento e da fiscalização das provas aplicadas aos alunos na instituição de ensino onde exerce funções. Salukamba afirmou que, na ocasião dos factos que lhe são imputados, encontrava-se fora da província, em Luanda, por motivos de serviço, pelo que considera injustificada a sua detenção.

“Eu estava em Luanda por questões de agenda. Enquanto isso, os meus colegas estavam a trabalhar. Essa situação não justificava a minha detenção”, lamentou.

Questionado sobre a possibilidade de estar a ser perseguido por ter denunciado alegados casos de tribalismo no município da Lúbia, o director respondeu afirmativamente.

“Não tenho dúvidas de que esta situação está relacionada com as denúncias que fiz. Aqui na província chamam-nos de UNITA e FNLA apenas por pertencermos a outra tribo, enquanto outros têm o apoio de dirigentes do MPLA”, afirmou.

O advogado Simão Hebo, que se deslocou à província do Bié para assegurar a defesa de Júlio Avelino Salukamba, criticou o procedimento adotado pelas autoridades durante a instrução do processo, considerando que foram cometidas várias irregularidades.

“Não acredito que, no nosso país, ainda existam pessoas que violem as leis e a própria Constituição da República, inventando crimes que não estão tipificados na legislação”, declarou.

O causídico denunciou ainda as condições precárias da escola onde o seu constituinte leciona. Segundo explicou, o estabelecimento de ensino não dispõe de infraestruturas adequadas, obrigando os alunos a assistirem às aulas ao ar livre, sem carteiras e sem condições mínimas de aprendizagem.

De acordo com o advogado, quando chove, as aulas são interrompidas para evitar que os estudantes e os materiais didáticos sejam danificados. Acrescentou que os quadros são pendurados em árvores para permitir a realização das aulas, que chegam a reunir mais de 60 alunos por turma, onde Júlio Avelino Salukamba também exerce funções como professor.

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