O engenheiro Henriques Sambambi manifestou preocupação com a fraca valorização de quadros formados na área de Engenharia de Recursos Hídricos, defendendo maior inclusão destes profissionais nos concursos públicos e processos de recrutamento no país.
Natural de Luanda, com experiência de trabalho na província do Bié, o especialista considera que há um défice de aproveitamento de técnicos qualificados num sector estratégico para o desenvolvimento nacional.
“Venho por este meio apresentar um apelo às Direções Provinciais e aos Departamentos de Recursos Humanos, no sentido de reforçar a necessidade urgente de valorização e inclusão de profissionais formados em Engenharia de Recursos Hídricos nos concursos públicos e processos de recrutamento”, afirmou.
Henriques Sambambi lembrou que, nos últimos tempos, Angola tem enfrentado desafios significativos relacionados com enchentes, inundações e má gestão dos recursos hídricos, destacando as recentes ocorrências nas províncias de Luanda e Benguela, que provocaram impactos sociais, económicos e ambientais consideráveis.
Segundo o engenheiro, “a prevenção, o planeamento e a gestão eficiente dos recursos hídricos não podem ser tratados de forma secundária”, sublinhando que a formação na área é essencial para responder aos problemas actuais.
De acordo com o especialista, o curso de Engenharia de Recursos Hídricos forma profissionais capacitados para o planeamento e gestão de bacias hidrográficas, controlo e mitigação de cheias, desenvolvimento de sistemas de drenagem urbana, aproveitamento sustentável da água, realização de estudos hidrológicos e implementação de infraestruturas hidráulicas resilientes.
Apesar da sua relevância, Sambambi observa que esta formação “raramente é considerada como requisito ou área elegível nos concursos públicos promovidos por diversas instituições provinciais”.
Para o engenheiro, esta realidade representa não apenas uma limitação para os profissionais da área, mas também uma perda significativa para o Estado, que deixa de contar com especialistas preparados para enfrentar problemas cada vez mais frequentes.
O especialista defende, por isso, a inclusão do curso de Engenharia de Recursos Hídricos nos perfis elegíveis dos concursos públicos, bem como o reconhecimento da sua importância estratégica na prevenção de desastres naturais e na gestão sustentável da água.
“Investir nesses profissionais é investir na segurança das populações, na sustentabilidade ambiental e no desenvolvimento do país”, concluiu.