O engenheiro António Francisco Venâncio, pré-candidato à presidência do MPLA, manifestou confiança na transparência do processo interno que culminará no IX Congresso Ordinário do partido, agendado para os dias 9 e 10 de Dezembro, defendendo que a organização vive um momento “histórico” de transição, marcado pela abertura a múltiplas candidaturas.
Em entrevista à Rádio Essencial, conduzida pelo jornalista Edmundo Pimentel, Venâncio considerou que a deliberação do Comité Central de 12 de Março de 2026, que encoraja a pluralidade de candidaturas, constitui um ponto de viragem. “Já não há recuo. É um processo irreversível”, afirmou, sublinhando que, pela primeira vez em décadas, os militantes poderão escolher entre diferentes projectos de liderança.
O também engenheiro reconheceu a existência de “atritos” no arranque do processo, mas desvalorizou as críticas sobre alegados bloqueios, classificando-os como “questões logísticas ou administrativas”, passíveis de superação. Segundo explicou, a subcomissão de candidaturas já disponibilizou os formulários e orientações necessárias, estando a recolha de assinaturas — um mínimo de cinco mil — em curso nas províncias.
“O MPLA mudou”
Questionado sobre o que distingue o actual processo de tentativas anteriores, nomeadamente a de 2021, Venâncio foi categórico: “O MPLA mudou”. Na sua perspectiva, há hoje maior consciência interna sobre o cumprimento dos estatutos e uma crescente “coragem” dos militantes para exigir regras claras e participação efectiva.
O pré-candidato afirmou ainda que os primeiros secretários provinciais estão obrigados a facilitar o processo, não podendo criar obstáculos às candidaturas, sob pena de violarem normas estatutárias. “Não têm vantagem nenhuma em impedir candidaturas. Antes pelo contrário, comprometem a sua idoneidade política”, sustentou.