Mais de quatro mil cidadãos do município da Lúbia, província do Bié, solicitaram formalmente à governadora provincial, Celeste Elavoco David Adolfo, a exoneração do administrador municipal e do administrador comunal do Ndando, alegando alegados conflitos tribais e práticas que, segundo os subscritores, colocam em causa a estabilidade social naquela circunscrição.
O pedido consta de uma carta datada de 27 de Abril de 2026, endereçada igualmente ao Comité Central do MPLA, na qual os signatários afirmam representar cerca de quatro mil habitantes de um universo populacional estimado em 8.860 residentes da Lúbia.
No documento, os subscritores defendem a exoneração dos administradores Alfredo Kapitango e João Simão Sachonga, acusando-os de promoverem divisões entre as tribos Songo e Tchokwé.
“Os mais de quatro mil subscritores do Município da Lúbia (…) vêm por meio deste pedir a sua Excelência Senhora Governadora a exoneração dos administradores supra”, lê-se na carta.

Os autores do documento alegam ainda que um dos responsáveis administrativos terá incentivado actos de hostilidade contra membros da tribo Songo. “Importa frisar que um dos visados instou os Tchokwés para atacarem os Songos até que sejam exterminados”, refere o texto.
Segundo os signatários, a situação criou um ambiente de instabilidade e receio entre as populações locais. “Este facto criou um clima de instabilidade no meio da população Songo e, para evitar qualquer retaliação, os subscritores pedem a exoneração dos administradores supra”, acrescentam.
Na exposição dirigida ao Governo Provincial do Bié, os cidadãos apelam igualmente à nomeação de novos gestores públicos “pacificadores”, capazes de garantir “a paz, harmonia e a sã convivência entre os povos”.
Os subscritores sustentam ainda que a tribo Songo possui maior representação tradicional no município, alegando ser composta por seis “mbanzas”, enquanto a tribo Tchokwé teria apenas duas. Segundo a carta, os administradores acusados “não conhecem a população residente” e terão adoptado medidas de intimidação contra líderes tradicionais.
“Pela unidade e estabilidade entre os povos, os subscritores advogam paz, harmonia e a sã convivência na diferença”, conclui o documento assinado por representantes dos moradores da Lúbia.
Até ao momento, o Governo Provincial do Bié não se pronunciou publicamente sobre o conteúdo da petição.