O Presidente da República, João Lourenço, destacou este sábado, em Luanda, a importância das relações entre Angola e a Santa Sé, durante o discurso de boas-vindas ao Papa Leão XIV, que se encontra em visita oficial ao país.
Ao receber o Sumo Pontífice, o Chefe de Estado expressou satisfação pela presença do líder da Igreja Católica em Angola, sublinhando o simbolismo da visita. “Ao receber Vossa Santidade em Luanda, desejo-Vos, no meu nome próprio, no da minha família e no do povo angolano, as boas-vindas a Angola, país que O acolhe com alegria e entusiasmo”, afirmou.
O Presidente referiu que a presença do Papa constitui motivo de “grande regozijo” para os angolanos, acrescentando que, durante a estadia, o líder religioso poderá constatar “o grande carinho e simpatia” de que goza entre os fiéis católicos, cristãos e a população em geral.
João Lourenço salientou que esta é a terceira visita de um Papa ao país, considerando-a reflexo das “relações construtivas” mantidas entre Angola e a Santa Sé ao longo de décadas. Segundo disse, o momento representa “mais um passo no reforço do diálogo e das bases sobre as quais assenta o grande papel social da Igreja Católica”.
No plano histórico, o Presidente recordou que os contactos entre a Santa Sé e a região remontam ao século XVII, com a missão diplomática do príncipe António Manuel Nsaku Ne Vunda, enviado a Roma pelo Reino do Congo.
O estadista destacou ainda que o diálogo entre o Estado angolano e a Igreja Católica tem sido fundamental, mesmo em períodos difíceis, contribuindo para a formulação de políticas sociais em áreas como saúde, educação, energia, habitação e combate à pobreza.
Neste sentido, manifestou o interesse do Executivo em aprofundar a cooperação com a Igreja. “Gostaríamos de poder contar com um envolvimento mais construtivo da Igreja Católica na condição de parceira social do Estado, para juntos trabalharmos no propósito de alcançar o progresso e o desenvolvimento económico e social do nosso país”, afirmou.
O Chefe de Estado referiu igualmente que os princípios defendidos pelo Papa, sobretudo no que diz respeito à atenção aos mais vulneráveis, têm servido de orientação para a governação. Citando a exortação apostólica Dilexi Te, destacou que “Deus tem um lugar especial no seu coração para aqueles que são discriminados e oprimidos” e que há um “apelo a escolhas radicais para ajudar os mais fracos”.
Durante o discurso, João Lourenço sublinhou também o carácter laico do Estado angolano e a convivência pacífica entre diferentes religiões no país, destacando a forte presença do catolicismo e a tradição de realização de cultos ecuménicos.
No plano internacional, o Presidente abordou os conflitos que marcam o cenário global, alertando para os riscos da escalada de violência. “Vive-se um momento perigoso com os conflitos que se proliferam por todos os continentes”, advertiu.
O governante criticou ainda a disputa por recursos naturais através de meios militares, defendendo o respeito pelas regras do comércio internacional como alternativa à guerra.
Referindo-se ao Médio Oriente, João Lourenço lamentou a situação de instabilidade na região, apelando ao fim dos conflitos. “Apelamos ao fim definitivo da guerra, à abertura do Estreito de Ormuz pela via negocial e ao estabelecimento de uma paz duradoura na região”, disse.
Por fim, o Presidente apelou à intervenção das lideranças mundiais e do Papa na promoção da paz. “É urgente que todos os estadistas influentes e figuras públicas com reconhecida autoridade moral actuem conjuntamente para assegurar que, nas relações internacionais, a justiça e o diálogo prevaleçam sobre o uso da força”, concluiu.