Até dezembro de 2025, a empresária Ana Maria Carneiro mantinha uma posição reservada e cautelosa em relação à pretensão do seu esposo, o general Francisco Higino Carneiro, de se candidatar à liderança do MPLA. Segundo apurações, os receios da empresária baseavam-se em informações que apontavam para eventuais riscos à integridade física do general, caso avançasse com a candidatura à sucessão de João Lourenço.
Fonte: Club-k.net
ANA CARNEIRO ULTRAPASSA RESERVAS E PASSA A APOIAR
Com o evoluir da situação e após sucessivas conversas no seio familiar, a posição de Ana Maria Carneiro terá sido revista. Atualmente, é descrita como uma das principais apoiantes da candidatura do marido.
Na fase em que prevaleciam as reservas, órgãos da imprensa angolana reportaram alegadas movimentações do aparelho estatal para travar a ascensão política de Higino Carneiro. Entre as medidas referidas constavam a instauração de processos judiciais e uma suposta vigilância reforçada por parte do Serviço Secretos.
Relatos indicavam ainda a existência de monitorização da residência do general, em Talatona, com recurso a meios tecnológicos e presença de viaturas não identificadas. Num dos episódios reportados, seguranças do general terão intercetado um indivíduo que tentava instalar um dispositivo junto ao muro da residência.
A morte de Fernando da Piedade Dias dos Santos “Nandó”, a 18 de dezembro de 2025, numa sauna da sua residência — também apontado como potencial candidato — terá igualmente contribuído para aumentar a apreensão no seio familiar de Higino Carneiro.
Entretanto, fontes indicam que a família reforçou o apoio ao general após melhorias no seu sistema de segurança, alegadamente com recurso a assessoria estrangeira, o que terá permitido neutralizar algumas das situações anteriormente reportadas.
Observadores próximos do processo consideram que a ausência recente de sinais de vigilância pode ser interpretada como um período de reavaliação das estratégias anteriormente adotadas ou das suas condições operacionais.
Por outro lado, o anúncio de um processo interno no MPLA com características mais abertas tem sido interpretado como um sinal de maior aceitação do pluralismo interno. O partido no poder terá, inclusive, criado uma subcomissão para gerir as candidaturas à presidência, no âmbito do congresso previsto para a primeira semana de dezembro de 2026.
Além de Higino Carneiro, são apontados como potenciais candidatos o engenheiro António Venâncio e José Carlos Almeida. Já João Lourenço, atual líder do partido, poderá concorrer à recandidatura, embora persistam indicações, ainda não confirmadas, sobre uma eventual desistência em favor de um outro nome — cenário que, para já, é considerado pouco provável.