Os moradores de vários bairros do município da Lúbia, província do Bié, queixam-se das precárias condições sociais e da ausência de serviços básicos, apesar do longo período de paz no país.
Em declarações à reportagem, os munícipes descrevem a Lúbia como um território “abandonado”, sublinhando que, mesmo após anos de estabilidade, pouco ou nada foi feito para melhorar as condições de vida da população.
Segundo os residentes, a falta de água canalizada, energia elétrica da rede pública, escolas e unidades hospitalares demonstra que o município carece de infraestruturas essenciais.
“Aqui não há nada, para além dos diamantes e do ouro que são explorados na zona”, afirmou um cidadão de 55 anos, residente há mais de duas décadas na sede municipal.
As vias de comunicação constituem outra preocupação central. De acordo com os moradores, o estado degradado das estradas, sobretudo durante a época chuvosa, dificulta o transporte de bens e mercadorias, contribuindo para a subida dos preços dos produtos da cesta básica.

“A falta de viaturas capazes de circular nesta altura obriga os comerciantes a aumentarem os preços”, referiram.
Perante este cenário, os munícipes apelam à implementação de políticas públicas eficazes que promovam o desenvolvimento sustentável dos novos municípios, defendendo que a Lúbia possui elevado potencial económico, sobretudo no sector mineiro.
Contactado pela reportagem, o administrador municipal da Lúbia, Alfredo Katango Vieira, não prestou declarações presenciais, alegando falta de comunicação prévia por parte da equipa jornalística.
“Os senhores não anteciparam a comunicação, e desconheço o objectivo da vossa presença no município”, afirmou.
Posteriormente, através de mensagem, o responsável solicitou compreensão, justificando a indisponibilidade com compromissos previamente agendados. “Se tivessem informado com antecedência, teria todo o prazer em recebê-los. Estou com a agenda apertada, sobretudo porque devo deslocar-me a Luanda no âmbito da visita papal, após uma formação”, concluiu.