O presidente do Conselho de Administração (PCA) da empresa Konda Marta, Daniel Neto, afirmou nesta sexta-feira 26, em Luanda, que está tranquilo em relação à notificação que recebeu do Tribunal Provincial de Luanda, considerando que responder à Justiça “já faz parte da rotina”.
Em conferência de imprensa, o empresário explicou que a audiência inicialmente prevista foi adiada. Segundo disse, o processo está relacionado com denúncias sobre a alegada detenção de mais de 20 camponeses sem mandado judicial e o suposto homicídio de um jovem num terreno associado à empresa.
“Não é a primeira vez que sou chamado pela Justiça. Já respondi em mais de cinco julgamentos e isso não me preocupa”, declarou.
Questionado sobre as acusações que enfrenta, Daniel Neto afirmou que responde por alegados crimes de difamação e calúnia, decorrentes de queixas apresentadas por antigos e atuais responsáveis do Estado angolano.
Entre os queixosos, citou o antigo ministro do Interior, Eugénio Laborinho, atualmente governador do Cuanza-Sul; o tenente-general Rui Fernando Lopes Afonso; o subcomissário Joaquim do Rosário, antigo comandante de Talatona; Rui Duarte, ex-administrador de Talatona; e António Sawanga, presidente da MOVE Angola.
Durante o encontro com os jornalistas, o empresário voltou a acusar agentes da Polícia Nacional de Talatona de envolvimento na morte de um jovem natural da Lunda-Norte.
“Temos provas documentais e outros elementos que demonstram que os disparos foram efetuados por agentes da Polícia de Talatona”, afirmou.
Daniel Neto disse ainda que, em consequência das denúncias que apresentou, foi alvo de perseguições por parte do Serviço de Investigação Criminal (SIC) e da Polícia Nacional.
O responsável mostrou-se igualmente surpreendido com a ausência dos queixosos na audiência realizada esta sexta-feira.
“Esperava encontrar os queixosos no tribunal, mas não compareceram. Estou disponível para responder a todas as questões do juiz e do Ministério Público, porque confio nas provas que possuo”, declarou.
O PCA da Konda Marta acusou ainda uma cidadã chinesa, identificada apenas como Sandra, de interferir no processo judicial e defendeu a suspensão das construções que, segundo afirma, decorrem em terrenos pertencentes à empresa.
Por sua vez, o responsável pela Comunicação e Marketing da Konda Marta considerou que Daniel Neto não deveria ser constituído arguido, sustentando que a empresa dispõe de documentação suficiente para sustentar a sua posição.
A audiência foi adiada, não tendo sido anunciada, até ao momento, uma nova data para o seu prosseguimento.