A primeira audiência de julgamento do caso relacionado com a morte de Daniela Zeferino e da sua filha Yarin decorreu na manhã de 9 de junho, na 6.ª Secção da Sala das Questões Criminais do Tribunal de Comarca de Luanda, no Palácio Dona Ana Joaquina, marcada por declarações contraditórias entre os arguidos e testemunhas.
Fonte: Club-k.net
Durante a sessão, o médico arguido afastou a hipótese de ter presenciado qualquer discussão entre Daniela Zeferino e a sua mãe, apesar de inicialmente ter alegado que tinha recebido essa informação por telefone através de uma enfermeira. Posteriormente, alterou a sua versão, afirmando que ouviu falar sobre o alegado desentendimento enquanto se encontrava detido, admitindo que nunca testemunhou qualquer discussão entre as duas.
O profissional de saúde declarou ainda ao tribunal que, no dia dos factos, não preparou o bloco operatório nem a ambulância para uma eventual emergência por considerar que a paciente se encontrava estável. Acrescentou que, independentemente da sua presença física na clínica, continuava a ser o responsável pelo acompanhamento da paciente e que a situação estava sob controlo.
Segundo as declarações prestadas em tribunal, o médico admitiu ter realizado procedimentos sem que tivessem sido observados determinados cuidados médicos prévios, nomeadamente a verificação de possíveis alergias da paciente aos fármacos administrados antes da indução anestésica.
Já a enfermeira Anastácia Cuabi, também ouvida durante a audiência, negou ter informado que teria ocorrido qualquer discussão entre Daniela e sua mãe. Explicou que a sua interpretação se baseou apenas na expressão facial da paciente naquele momento.
A enfermeira afirmou igualmente que o médico ausentou-se da clínica sem indicar o destino, limitando-se a informar que regressaria em pouco tempo. Acrescentou que serviu à parturiente uma refeição composta por arroz de cenoura, peito de frango e salada durante o jantar.
Questionada sobre a administração da anestesia, declarou não conseguir confirmar se o procedimento chegou a ser realizado. Em outro ponto considerado relevante para o processo, contrariou a versão apresentada pelo médico ao afirmar que o bloco operatório estava devidamente preparado para uma cesariana.
Anastácia Cuabi relatou ainda que a paciente apresentava queixas de falta de ar e fraqueza, tendo sido encaminhada para o bloco operatório após sofrer uma primeira paragem cardíaca, onde recebeu cuidados paliativos.
Após a audiência, familiares de Daniela Zeferino manifestaram satisfação com o início da fase de produção de prova e discussão dos factos, considerando que as contradições registadas entre os intervenientes poderão contribuir para o esclarecimento das circunstâncias que rodearam as mortes.
Os familiares entendem que os depoimentos prestados em tribunal coincidem com declarações anteriormente divulgadas à comunicação social e defendem que o processo está a aproximar-se do apuramento da verdade material dos factos.
A próxima sessão do julgamento deverá ocorrer em data a ser anunciada pelo tribunal.