Jovem engenheiro denuncia alegada injustiça em concurso público em Cabinda

Um jovem licenciado em Engenharia de Recursos Hídricos pelo Instituto Superior Politécnico do Bié denunciou uma alegada irregularidade no concurso público realizado este ano na província de Cabinda, afirmando ter sido excluído da lista final apesar de ter obtido classificação positiva durante o processo selectivo.

O cidadão, identificado como Tadeu Matos, afirma que o concurso teve início em fevereiro e terminou em maio do corrente ano, tendo concorrido à categoria de Técnico Superior de 2.ª Classe.

Segundo relatou à nossa reportagem, entre os candidatos inscritos para a especialidade de Engenharia de Recursos Hídricos, foi o único apurado para a fase final do concurso.

“Entre todos os candidatos inscritos em Engenharia de Recursos Hídricos, fui o único apurado para a fase final”, declarou.

Tadeu Matos explicou ainda que, no dia da realização da prova, não encontrou outros concorrentes da mesma especialidade no recinto de exames.

“Na mesa destinada à minha especialidade não havia mais nenhum candidato além de mim. Muitos presentes e até concorrentes de outras áreas admiravam-se ao ouvir ‘Engenharia de Recursos Hídricos’ e perguntavam onde é que tinha estudado, porque nunca tinham ouvido falar daquele curso”, contou.

O jovem revelou igualmente ter enfrentado dificuldades financeiras para se deslocar da província do Bié até Cabinda, desde a fase inicial do concurso. Segundo disse, a viagem só foi possível graças ao apoio de colegas da área.

“Eu, na verdade, não tinha dinheiro para sair do Bié até Cabinda. Foram os próprios engenheiros de Recursos Hídricos, colegas de profissão, que se juntaram para contribuir financeiramente e ajudar-me a viajar, porque acreditávamos que finalmente um de nós teria a oportunidade de servir o país com dignidade”, afirmou.

De acordo com o candidato, a prova decorreu sem incidentes e permitiu-lhe alcançar a nota de 18,2 valores. Contudo, lamenta que até ao momento não tenha sido publicada oficialmente a lista definitiva dos aprovados e não aprovados por especialidade.

“Mas até hoje a comissão de júri não afixou publicamente a pauta final dos aprovados e não aprovados por especialidade na categoria de Técnico Superior de 2.ª Classe. Não houve transparência. Não houve publicação clara da lista final. Apenas consultas feitas ‘no off’”, denunciou.

Sentindo-se prejudicado, Tadeu Matos apela à intervenção do Governo Provincial de Cabinda e de outras instituições competentes para o esclarecimento do caso e eventual reposição da legalidade.

“O mais doloroso é que acreditei tanto naquela oportunidade que cheguei a vender os meus próprios bens para entregar os documentos finais em Cabinda, na esperança de depois chamar a família e começar uma nova vida”, desabafou.

Nos últimos dias, o jovem procurou obter informações junto do departamento de Recursos Humanos do Governo Provincial de Cabinda, tendo sido informado de que o seu nome não consta da lista definitiva.

Segundo relatou, tentou ainda solicitar uma audiência com a governadora provincial, mas afirma ter sido impedido por funcionários, sob alegação de que o assunto não poderia chegar ao conhecimento da responsável máxima da província.

A nossa reportagem continua a desenvolver contactos para ouvir o presidente do júri do referido concurso público, com vista ao contraditório e ao esclarecimento da opinião pública.

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