A empresa Konda Marta acusou nesta quinta-feira 13, a Administração Municipal da Camama e efectivos da Polícia Nacional afectos àquela circunscrição de orientarem a demolição de um muro erguido num terreno localizado nas imediações do Estádio Estádio 11 de Novembro.
Segundo relatos da empresa, a acção ocorreu um dia após alegados confrontos entre agentes policiais e populares num outro espaço situado na Vila Kiaxi, onde dois jornalistas teriam sido detidos enquanto exerciam actividades profissionais.
De acordo com testemunhas, durante a operação, a Polícia Nacional terá recorrido ao lançamento de gás lacrimogéneo, situação que alegadamente afectou camponeses e cidadãos que circulavam nas proximidades.
Em declarações à imprensa, o presidente do conselho de administração da empresa Konda Marta, Daniel Neto, considerou a demolição do muro uma “acção reprovável”, alegando que existe um processo de restituição de posse em tribunal.
“A fiscalização e a Polícia Nacional, liderada por Alfredo Mingo, um dos filhos do comandante Panda, tiveram a coragem de demolir o muro”, afirmou.
O responsável acusou ainda determinados agentes administrativos e policiais de actuarem à margem da lei e de prejudicarem a imagem do Presidente da República, João Lourenço.
“O problema não é o Presidente da República nem os seus colaboradores. Há pessoas que estão a sujar o bom nome do Presidente”, declarou.
Conhecido também por “TC Neto”, o empresário garantiu que a empresa cumpriu todos os pressupostos legais exigidos para a implementação do projecto habitacional previsto para o local.
“A nossa empresa cumpriu com todos os requisitos legais e, nos próximos dias, faremos o lançamento do projecto habitacional”, assegurou.
Daniel Neto afirmou igualmente que não pretende recorrer à violência, apesar do clima de tensão instalado.
“Sou militar e podia pegar em armas para disparar contra o Mingo, mas não faço justiça pelas próprias mãos”, disse.
O gestor avançou ainda que a empresa já mobilizou trabalhadores para a construção de um novo muro no terreno em disputa.
“Neste momento já temos pessoas mobilizadas para erguer outro muro. Não vamos abandonar o espaço”, reforçou.
Por sua vez, o secretário para a Comunicação da empresa Konda Marta, José Eduardo, acusou a Polícia Nacional e os serviços de fiscalização de serem os principais responsáveis pela demolição.
“Estão a derrubar um muro num terreno que não lhes pertence”, declarou.
Já o assessor jurídico da empresa, identificado apenas por Caprato, defendeu a legitimidade da documentação apresentada pela empresa e desafiou qualquer contestação pelas vias legais.
“Quem entender que os documentos são falsos deve apresentar provas junto da justiça”, afirmou.