Pesquisas sugerem que sinais químicos liberados pelo óvulo podem atrair alguns espermatozoides mais do que outros fenômeno que pode depender da combinação entre homem e mulher.
Durante muito tempo, a fertilização humana foi explicada como uma corrida. Milhões de espermatozoides competiriam para alcançar o óvulo, e o vencedor seria simplesmente o mais rápido.
A biologia reprodutiva moderna, porém, indica que o processo pode ser mais complexo. Em vez de apenas esperar, o óvulo também participa da interação com os espermatozoides. É o que mostra um estudo conduzido por cientistas das universidades de Estocolmo, na Suécia, e Manchester, no Reino Unido.
Publicado na revista científica Proceedings of the Royal Society B., o trabalho revelou que o fluido folicular líquido que envolve o óvulo no momento da ovulação libera sinais químicos capazes de atrair alguns espermatozoides mais do que outros.
Na prática, isso sugere que o óvulo pode até “escolher” qual espermatozoide tem mais chance de fecundá-lo.
Uma comunicação química invisível
Esse processo é conhecido como quimioatração espermática.
Substâncias liberadas pelo complexo formado pelo óvulo e pelas células ao seu redor funcionam como pistas químicas que ajudam a orientar o movimento dos espermatozoides dentro do trato reprodutor feminino.
Segundo o urologista e andrologista Bernardo Hermanson, membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia, esses sinais ajudam a recrutar os espermatozoides capazes de chegar até o local da fertilização.
Uma das moléculas mais estudadas nesse processo é a progesterona, hormônio que pode ativar canais presentes nos espermatozoides e alterar seu padrão de movimento, ajudando-os a seguir o gradiente químico em direção ao óvulo.
Compatibilidade entre os gametas
Os experimentos também indicam que essa atração química pode variar conforme a combinação entre homem e mulher.
Ou seja: um mesmo espermatozoide pode responder mais fortemente aos sinais químicos de um determinado óvulo do que aos de outro.
Para Hermanson, isso sugere que pode existir algum grau de compatibilidade funcional entre os gametas.