Trabalhadores da empresa chinesa ZHONGANHENGTAI, que actua na compra de sucatas e ferro para a produção de varões, no município do Catete, província do Icolo e Bengo, denunciam graves violações dos direitos laborais, situações de alegada escravidão moderna e outras irregularidades no funcionamento da unidade industrial.
De acordo com os funcionários, o director administrativo da empresa, Floriano Franklin, é apontado como o principal responsável pelas práticas denunciadas, que estariam a ocorrer sob o olhar cúmplice das autoridades locais.
Entre as principais denúncias, os trabalhadores afirmam que são obrigados a dormir em contentores, em condições consideradas desumanas, além de receberem alimentação de má qualidade. Relatam ainda a inexistência de condições mínimas de segurança no exercício das suas funções.
Segundo relatos, existe uma área específica da empresa onde os trabalhadores são forçados a partir pedras manualmente, sem qualquer tipo de equipamento de proteção individual. A situação, dizem, repete-se também na área de produção de aço, onde os riscos à saúde e à integridade física são constantes.
Os funcionários afirmam ainda que são submetidos a jornadas superiores a 10 horas diárias, sem direito a reclamações. Qualquer tentativa de contestação, alegam, resulta em punições, incluindo o afastamento imediato do posto de trabalho por ordem da direção administrativa.
“O trabalho é extremamente pesado e feito sem qualquer segurança. Somos obrigados a chegar à empresa às cinco horas da manhã e só saímos quando o serviço termina”, relatou um trabalhador da área de britagem, que pediu anonimato por receio de represálias.
Segundo o mesmo funcionário, o serviço poderia ser realizado com recurso a máquinas, mas acaba por ser executado manualmente. “Colocam duas pás carregadoras a operar e nós ficamos a partir pedras durante horas. Muitas vezes só terminamos por volta das 15 horas. Estamos a arriscar a vida todos os dias”, acrescentou.
Os trabalhadores acusam ainda o director administrativo, de nacionalidade angolana, de favorecer cidadãos estrangeiros em detrimento da mão de obra nacional, agravando o clima de desigualdade e insegurança dentro da empresa.
Até ao momento, a direcção da ZHONGANHENGTAI não se pronunciou publicamente sobre as acusações.