Rádio Despertar em queda livre

A Rádio Despertar atravessa uma crise profunda, marcada por conflitos internos, perda de credibilidade pública e decisões administrativas que levantam sérias dúvidas sobre a capacidade de liderança da actual direcção.

No centro da polémica está o director-geral da emissora, Crisóstomo Tchipiaka, conhecido por Horácio dos Reis, acusado por colaboradores de conduzir a rádio com autoritarismo, improvisação e desrespeito pelos princípios básicos do jornalismo profissional.

A mais recente controvérsia envolve a adopção de um método de recrutamento considerado inédito e pouco rigoroso: a selecção de novos jornalistas através do envio de áudios por telefone, sem divulgação clara de critérios técnicos, exigência de formação académica ou experiência comprovada. Para profissionais do sector, a medida reflecte o grau de desorganização editorial instalado na estação.

Segundo fontes internas, o director-geral tem manifestado, em conversas internas, a sua incapacidade de estruturar uma equipa editorial funcional, chegando a desqualificar publicamente os próprios quadros que dirige.

“Tirando o António Festos, já não tenho mais. Infelizmente, os outros que tenho não servem para nada”, terá afirmado o responsável máximo da rádio, numa declaração considerada humilhante e reveladora do clima de degradação interna.

Trabalhadores da Rádio Despertar, ouvidos sob anonimato por receio de represálias, descrevem um ambiente marcado pelo medo, instabilidade permanente e ausência de diálogo institucional. O director é classificado como “arrogante, ignorante e cobarde”, acusações que, segundo os funcionários, ajudam a explicar a queda da audiência, a desmotivação interna e a perda de relevância da emissora no espaço mediático nacional.

De acordo com os colaboradores, a direcção tem procurado transferir responsabilidades, usando a constante busca por novos profissionais como forma de justificar o fracasso da actual grelha de programação, cuja concepção e orientação estratégica recaem, defendem, exclusivamente sobre a liderança da rádio.

Paralelamente, a Rádio Despertar lançou uma campanha pública na sua plataforma digital, apelando à participação dos ouvintes na redefinição da programação. Internamente, a iniciativa é vista como uma manobra de legitimação, uma vez que, segundo fontes da redacção, as principais decisões já estariam tomadas, restando ao público apenas validar escolhas previamente definidas pela direcção.

No comunicado oficial, a emissora anuncia a apresentação iminente de uma nova grelha de programação.

“Na próxima semana, a Rádio Despertar apresenta uma nova programação, com novidades pensadas para informar melhor, dar mais espaço ao debate e aproximar ainda mais a rádio dos seus ouvintes”, lê-se na nota.

O texto institucional sustenta ainda que a rádio é um “produto vivo”, construído pelos seus profissionais e pelos ouvintes, defendendo a abertura ao diálogo e à crítica. Contudo, trabalhadores consideram o discurso contraditório, acusando a direcção de restringir a liberdade editorial, silenciar opiniões divergentes e marginalizar profissionais experientes.

O Sem Censura tentou, por várias vias, ouvir a versão do director-geral da Rádio Despertar, Crisóstomo Tchipiaka, sobre as acusações de má gestão, desvalorização dos quadros, queda de audiência e alegada manipulação do processo de consulta aos ouvintes.

Até ao fecho desta edição, não foi possível obter qualquer pronunciamento oficial do responsável.

A ausência de esclarecimentos adicionais por parte da direcção aprofunda as incertezas quanto ao futuro editorial da Rádio Despertar, hoje vista por vários profissionais do sector como uma emissora fragilizada, refém de decisões personalistas e distante dos valores que sustentam o jornalismo responsável.

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