A Direcção-Geral da Rádio Despertar decidiu reduzir os custos associados às comemorações do 19.º aniversário daquele órgão de comunicação social, fundado no contexto político pós-acordos entre o Governo angolano e a UNITA, idealizado pelo fundador do partido, Jonas Savimbi.
De acordo com informações apuradas, a decisão foi justificada pelo director da emissora como um gesto de reflexão, face às várias mortes registadas ao longo do ano entre profissionais da estação. Segundo uma fonte interna, a direcção considerou mais apropriado realizar “uma actividade simbólica, em homenagem aos jornalistas falecidos”, em vez de uma celebração festiva.
Apesar de reconhecerem a importância simbólica da medida, funcionários da Rádio Despertar manifestam preocupação quanto ao destino das verbas inicialmente previstas para as festividades. “A decisão é positiva do ponto de vista humano, mas questionamos para onde vão os recursos, sobretudo numa altura em que os aumentos salariais foram mínimos”, afirmou uma fonte ouvida pelo jornal.
Segundo os trabalhadores, os recentes ajustes salariais contemplaram apenas aumentos de 10 mil kwanzas para funcionários com salários de 50 mil kwanzas e de 20 mil kwanzas para os que auferem cerca de 70 mil kwanzas.
O director-geral da Rádio Despertar, Crisóstomo Tchipiaka, também conhecido por Horácio dos Reis, é apontado por fontes internas como um dos gestores mais contestados da instituição, devido ao que classificam como “arrogância e falta de transparência” na condução administrativa.
Fontes indicam ainda que Brígido Paulo Gama terá sido afastado do sector responsável pela gestão salarial, onde Maria Luanda actuava como auxiliar. A mesma fonte sustenta que Maria Luanda, alegadamente próxima do director-geral, passou a assumir o pagamento dos salários de todos os funcionários da emissora, conhecida como “a voz da sociedade”.
Uma fonte ligada à UNITA afirmou que Crisóstomo Tchipiaka “só deixará a direcção da Rádio Despertar se o presidente do partido for destituído ou no final do seu mandato de quatro anos”. A mesma fonte acrescentou que a relação de proximidade entre o director-geral e o presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, a quem trata por “cota”, inviabiliza qualquer mudança no curto prazo. “Não há hipótese, teremos de aguardar mais quatro anos”, afirmou.
Informações internas revelam ainda que o director-geral aufere diariamente 10 mil kwanzas como subsídio de alimentação e 5 mil kwanzas para combustível. É igualmente apontado como o director com mais regalias, dispondo de uma viatura da marca Jetur, de cor azul oceano, e circulando actualmente com um segundo veículo do modelo Mini.
Recorde-se que a Rádio Despertar continua a efectuar o pagamento dos salários com verbas provenientes do Orçamento, canalizadas através do Grupo Parlamentar da UNITA, segundo confirmaram fontes internas à redacção.