A ciência da comunicação sustenta que os mais instruídos devem ser os mais claros. Em outras palavras, o “saber implica responsabilidade pedagógica”: esclarecer os menos entendidos.

No entanto, o que se viu na Televisão Pública de Angola, a 7 de maio, com Adão de Almeida — Ministro de Estado e Chefe da Casa Civil do Presidente da República — foi uma entrevista, não um debate.
A distinção é fundamental: a entrevista é um género centrado numa interação bilateral, enquanto o debate pressupõe confronto de ideias entre vários intervenientes.
Infelizmente, alguns intelectuais, em vez de promoverem o esclarecimento, contribuem para a confusão, alimentando divisões e narrativas de vitimização que dificultam o diálogo construtivo entre as lideranças.