O maior erro dos partidos políticos em Angola não é a falta de militantes, nem a escassez de recursos. O maior erro é a incapacidade de compreender que o país mudou — mas muitos partidos continuam presos a práticas, linguagens e mentalidades do passado.
Durante décadas, as formações políticas construíram-se com base na resistência, na identidade e na fidelidade histórica. Isso foi importante. Mas, hoje, o cidadão angolano já não procura apenas história — procura soluções.
O povo quer respostas concretas para problemas concretos.
Quer saber:
Como vai melhorar o seu poder de compra;
Como os jovens terão acesso ao emprego;
Como o Estado se tornará mais justo e eficiente;
Como a economia será, de facto, diversificada.
No entanto, muitos partidos, incluindo o MPLA, a UNITA, a FNLA, a CASA-CE, o Partido Humanista de Angola e o Partido Liberal, entre outros que vão surgindo, continuam excessivamente focados na disputa política entre si, em vez de se concentrarem na apresentação de soluções práticas e credíveis.
Outro erro grave é a falta de renovação real. Muitos jovens são utilizados como mobilizadores, mas raramente integrados como decisores. São chamados para defender, mas não para decidir. São convocados para apoiar, mas não para liderar.
Um partido que não confia na sua juventude compromete o seu próprio futuro.
Existe também um distanciamento crescente entre os partidos e a realidade social. O cidadão comum enfrenta diariamente o aumento do custo de vida, a dificuldade de acesso ao emprego e a incerteza económica. Contudo, muitas vezes, o discurso político permanece distante dessas preocupações reais.
A política não pode ser apenas um espaço de conquista do poder. Deve ser, acima de tudo, um instrumento de transformação social.
Os partidos precisam compreender que a nova geração não segue símbolos — segue resultados.
Não segue discursos — segue competência.
Não segue promessas — segue provas.
O futuro político em Angola não pertencerá necessariamente aos partidos mais antigos, nem aos mais fortes, mas àqueles que demonstrarem maior capacidade de compreender o tempo presente e responder às exigências do povo.
Porque, no fim, a legitimidade política não vem da história.
Vem da confiança.
E a confiança constrói-se com resultados.
Deus abençoe Angola e os angolanos.