O médio português Vitinha recordou o ano de 2025 onde atingiu o pódio da Bola de Ouro e conquistou praticamente todos os troféus que disputou, apontando agora forças ao Mundial2026.
Vitinha teve indiscutivelmente o seu melhor ano da carreira em 2025 e, em entrevista ao jornal O Jogo, fez uma retrospetiva e anteviu o que poderá acontecer no ano de 2026 para que seja ainda melhor, apontando ao Campeonato do Mundo como principal alvo.
“Diria que num estado de ansiedade positiva, porque não é um estado de nervosismo, mas sim de ansiedade positiva pela vontade de jogar, de querer que chegue o dia para podermos desfrutar, mostrar qualidade e lutar pelo Mundial. Vai ser o meu segundo Campeonato do Mundo e espero ter maior contribuição e participação. É isso que todos os possíveis convocados sentem. Há muita vontade de jogar este Mundial e esperamos que chegue rápido, porque queremos muito lutar e ganhar“, começou por dizer o internacional português.
“Não somos favoritos, somos candidatos. Acho que temos que ir por aí. Não estou a dizer para esperarmos pouco, nem de perto nem de longe, temos de esperar muito porque existe na seleção mais do que capacidade para isso, quer individual como coletivamente, mas também temos de ter muita calma e cabeça, pensando que o Mundial não se ganha já a pensar na final, mas sim no primeiro jogo. Mas sim, diria que com a seleção que temos, com a qualidade e capacidade que existe, temos que considerar Portugal um dos candidatos. Seria histórico conseguirmos o que todos ambicionamos“, continuou.
Fazendo ainda uma comparação entre a seleção nacional portuguesa e o Paris Saint-Germain, Vitinha não escondeu que as semelhanças não são tão poucas como seria de esperar.
“Digamos que o PSG tem um jogo parecido com o da seleção, porque não é totalmente diferente. Não temos um jogo de posse supercontrolado no PSG e chegamos à seleção para apostar no contra-ataque. Na seleção também é um jogo de posse e controlo, tentamos sempre ter a superioridade em relação à equipa adversária, porque temos jogadores de equipa para isso também, e é isso que o mister Roberto Martínez tenta incutir. No entanto, há sempre variáveis diferentes, os jogadores também são diferentes e não estamos juntos tantas vezes. Digo que dentro da mesma filosofia de jogo, com estilo de jogo parecido, acaba por haver questões táticas diferentes”, completou.
A conquista da Liga das Nações
O final da temporada passada foi de festa em dose dupla para Vitinha e os seus compatriotas portugueses no PSG, já que venceram a Liga dos Campeões e poucos dias depois estavam a disputar a final four da Liga das Nações.
“Nem tinha festejado bem a Champions e já estava na Liga das Nações. Curiosamente, os dois títulos foram no mesmo estádio, em Munique. Ganhámos a Champions, festejámos em Paris e voltei à Alemanha. Estava tudo muito fresco, estávamos ainda a processar o que tinha acontecido no clube quando já tínhamos de estar novamente a jogar pela seleção e logo num troféu importante”
“No primeiro jogo, frente à Alemanha, comecei de fora, o mister falou comigo e achou que seria melhor assim, por tudo o que tínhamos acabado de viver pelo clube. Não começámos mal o jogo, mas sofremos o golo primeiro. Depois conseguimos dar a volta e quando entrei tentei dar o meu melhor. Felizmente, o Chico [Conceição] também entrou e conseguiu fazer um golo importante e depois o Cristiano fez outro, com uma assistência do Nuno Mendes, e chegámos à vitória“, recordou.
“Ganhando à Alemanha na Alemanha, sentimos que o troféu podia ser nosso. Foi uma boa afirmação da nossa parte. Na final, enfrentámos uma grande seleção, com um estilo de jogo parecido com o nosso, mas ainda mais vincado, não só pela continuidade que têm, mas também pelo que já praticam desde miúdos, todos com a mesma mentalidade e forma de jogar. Tentámos ter a bola o máximo possível, mas a Espanha também é supercapaz nesse aspeto“, reforçou o médio.
“Nos penáltis tínhamos de manter a calma e ser fortes psicologicamente, porque tivemos de anular duas desvantagens. Conseguimos com resiliência e depois mantivemos a frieza nos penáltis, que felizmente nos levaram à vitória. Pude, felizmente, ganhar o primeiro título pela seleção e estou muito orgulhoso”, afirmou.
A avaliação aos colegas lusos no Paris Saint-Germain
O médio português não é o único luso no plantel da equipa francesa, onde a qualidade abunda em todas as secções do terreno, com João Neves como parceiro de meio-campo, a quem deixa muitos elogios, assim como a Nuno Mendes na defesa.
“Sei que as pessoas fazem essa comparação [com Xavi e Iniesta] e é normal que isso aconteça, porque não faltam estilos semelhantes no futebol. Isso surge com naturalidade e sobre o João Neves só tenho a dizer coisas muito positivas. Estou sempre a dizer-lhe o quanto é incrível como jogador e como pessoa. É dos melhores que já vi jogar e acredito que vai ser o melhor de todos daqui a muito pouco tempo. Aliás, para mim, se não é o melhor da atualidade está ali nos lugares de topo. É brutal o que ele consegue fazer, faz quase tudo bem e numa posição difícil. Já lhe disse isso várias vezes, ele fica meio envergonhado, mas diria que o único contra que ele tem é que existe muito pouca coisa em que possa evoluir, mesmo sento tão jovem“, analisou Vitinha.
“Há tanta coisa que faz bem com os seus atributos que impressiona. O João só tem de continuar a ser a pessoa que é, cinco estrelas em campo e fora dele. Se mantiver o comportamento e a forma de ser, e não duvido que isso vai acontecer, vai ser o melhor jogador português nos próximos largos anos. É mesmo alguém por quem tenho grande admiração, elogio-o sempre muito porque merece e reconheço que só cheguei a este nível porque ele me ajudou. Jogar ao lado dele é fantástico, é um prazer e um luxo“, completou.
“Nuno Mendes? Está num momento de forma brutal. Já o disse e volto a dizer: é o melhor lateral-esquerdo do Mundo, sem qualquer dúvida. E tem capacidade para manter esse estatuto durante muitos anos. É só continuar a trabalhar da mesma forma porque capacidade não lhe falta. Desejo muito que tenha sempre todo o sucesso, de preferência ao lado dele, pois gosto imenso de jogar com ele”, confessou o médio do Paris Saint-Germain.
Quanto a Gonçalo Ramos, o membro que falta do ‘quarteto fantástico’ português no campeão da Europa e de França, Vitinha realçou a capacidade mental do ponta-de-lança, que tem sido uma ‘arma’ útil a partir do banco de Luis Enrique.
“Tem uma personalidade e uma resiliência como poucos. Acho que nesse aspeto tem uma postura inacreditável, é mesmo muito forte e será mesmo a principal qualidade dele, a mentalidade e a cabeça. Não é fácil lidar com o facto de jogar menos, apesar do sucesso coletivo. O Gonçalo não tem tido grandes oportunidades e, mesmo sem ser titular na maior parte dos jogos dos últimos dois anos, entra e dá sempre grandes respostas“, realçou.
“Quando é chamado marca golos, nunca faz cara feia, luta sempre, trabalha como ninguém e é um exemplo para todos. Todos os miúdos que jogam futebol e desejam um dia chegar a profissionais deviam olhar para o Gonçalo. A melhor qualidade que podem ter e controlar é a mentalidade, a resiliência, essa vontade de trabalhar sempre no máximo e no fim ninguém ter rigorosamente nada a apontar. Depois os números falam por ele, pois é dos jogadores do mundo com melhor rácio de golos por tempo de utilização. Sempre que joga ou entra marca golo, mesmo quando as coisas não estão a sair tão bem. Isso é tudo fruto do trabalho”, concluiu.