A Organização Não Governamental Minuto Verde considerou que Angola registou avanços significativos no plano estratégico, institucional e diplomático no domínio ambiental ao longo de 2025, embora reconheça que os progressos ainda não se refletem de forma consistente na realidade vivida pelas comunidades, sobretudo as mais vulneráveis.
A avaliação consta do Balanço sobre a Situação Ambiental em Angola 2025, divulgado pela organização, que analisa os principais avanços, recuos e desafios do setor, bem como apresenta perspetivas e recomendações para 2026.
De acordo com o documento, o ano de 2025 ficou marcado por uma maior centralidade das questões ambientais no discurso político e institucional, com destaque para temas como as alterações climáticas, conservação da biodiversidade, gestão de resíduos, saneamento básico e acesso à água potável. No entanto, a Minuto Verde alerta que este progresso “permanece, em muitos casos, mais discursivo do que prático”.
O presidente da organização, Rafael Lucas, sublinha que, apesar do reforço do enquadramento político, “persistem limitações estruturais ao nível da implementação efetiva das políticas ambientais, sobretudo nas administrações locais e nas comunidades mais vulneráveis”.
Entre os avanços registados em 2025, o relatório destaca o reforço do quadro político e estratégico ambiental, com a análise e continuidade de instrumentos ligados à biodiversidade para o período 2025–2030, bem como planos específicos de conservação de espécies e ecossistemas. Estas iniciativas, segundo a Minuto Verde, demonstram o esforço de Angola em alinhar-se com os compromissos internacionais assumidos no âmbito do Acordo de Paris e da Agenda 2030.
O documento refere ainda progressos no debate sobre a gestão de resíduos sólidos urbanos e economia circular, impulsionados pela realização de feiras, conferências e plataformas de reflexão, além do aumento da presença do país em fóruns nacionais e internacionais dedicados à educação ambiental.
Outro ponto salientado é o reforço da diplomacia ambiental angolana, evidenciado pela participação ativa do país nas Conferências das Partes (COP) e em outros fóruns multilaterais. Para Rafael Lucas, esta presença internacional representa “um avanço político e diplomático importante”, embora ressalve que “os compromissos assumidos precisam ser traduzidos em políticas públicas eficazes e ações concretas no território nacional”.
Apesar dos progressos, a Minuto Verde identifica recuos e desafios persistentes, como a continuidade de práticas ambientalmente nocivas, a fraca fiscalização ambiental ao nível municipal, ações de educação ambiental pouco estruturadas e a elevada vulnerabilidade de comunidades sem acesso adequado ao saneamento básico e à água potável.
Face a este cenário, a organização defende que 2025 foi um ano de consolidação política e de afirmação internacional, mas ainda insuficiente para produzir impactos ambientais estruturantes e duradouros.
Para 2026, a Minuto Verde recomenda o fortalecimento da educação ambiental estruturada, o reforço da governação ambiental local, a internalização efetiva dos compromissos internacionais e a consolidação da parceria entre o Estado e a sociedade civil, reconhecendo as organizações ambientais como parceiras estratégicas na formulação e monitorização das políticas públicas ambientais.