O presidente do Partido Liberal, Luís de Castro, manifestou publicamente um “profundo repúdio” à actuação da Polícia Nacional na província da Lunda-Norte, acusando a corporação de negligência, omissão dolosa e afastamento da sua missão constitucional de proteger os cidadãos e garantir a ordem pública.
Em manifesto tornado público neste sábado,20, o político afirmou que, em vez de cumprir o seu dever fundamental, a Polícia Nacional na Lunda-Norte “aparenta estar mais empenhada em envolver-se directa ou indirectamente em esquemas ligados à exploração artesanal de diamantes”, situação que, segundo disse, transforma a instituição “de força de segurança em parte do problema que aflige a província”.
Luís de Castro criticou duramente a actuação da corporação no que diz respeito à recente marcha do Partido Liberal, alegando que a Polícia foi informada “de forma formal e atempada” sobre a realização do evento, mas recusou-se a garantir a segurança necessária. Para o dirigente partidário, essa postura configura uma violação grave da lei.
“É absolutamente inaceitável que a Polícia Nacional tenha optado por se furtar às suas responsabilidades legais, recusando-se a assegurar a segurança do evento. Tal atitude constitui uma grave violação dos deveres funcionais e uma ameaça à liberdade de reunião e manifestação consagrada na Constituição da República de Angola”, declarou.
No documento, o presidente do Partido Liberal responsabiliza directamente o comandante provincial da Polícia Nacional na Lunda-Norte, identificado como Gerson, acusando-o de liderar a instituição de forma incompetente e parcial.
“Responsabilizo politicamente e institucionalmente o senhor Gerson, Comandante Provincial da Polícia Nacional na Lunda-Norte, cuja liderança tem sido sinónimo de incompetência, falta de isenção e desprezo pelo interesse público”, afirmou Luís de Castro, acrescentando que a sua actuação “mancha o nome da instituição policial e presta um serviço vergonhoso à província e ao país”.
O líder político alertou ainda para o que considera ser uma actuação selectiva da Polícia Nacional, denunciando comportamentos de ausência quando os cidadãos necessitam de protecção e de conivência quando estão em causa “interesses obscuros”.
“A Polícia Nacional não pode continuar a agir como instrumento selectivo, ausente quando o cidadão precisa e conivente quando interesses obscuros estão em causa”, sublinhou.
Luís de Castro concluiu defendendo que o Estado de Direito não se consolida com “silêncio, medo ou cumplicidade”, mas sim com responsabilidade, profissionalismo e respeito pela lei, reiterando que a população da Lunda-Norte merece “uma Polícia ao serviço do povo, e não uma polícia omissa, capturada ou politicamente condicionada”.