O Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, voltou a mexer na estrutura de topo da comunicação social pública ao exonerar, por conveniência de serviço, membros do Conselho de Administração da Empresa Pública Radiodifusão Nacional de Angola (RNA-EP), numa decisão que reacende o debate sobre a instabilidade directiva nos órgãos estatais.
Foram exonerados Pedro Bernardo Neto, que exercia as funções de Presidente do Conselho de Administração, António Sebastião Lino, até então Administrador Executivo para a Área de Marketing e Intercâmbio, e Mendes Paulo Jacinto, Administrador não Executivo.
Apesar da exoneração, António Sebastião Lino acaba por regressar imediatamente à mesma instituição, desta vez como Presidente do Conselho de Administração, numa decisão que levanta interrogações sobre os critérios que sustentam as mudanças anunciadas como sendo “por conveniência de serviço”.
“Estas exonerações e nomeações sucessivas acabam por transmitir a ideia de reciclagem de quadros, em vez de uma verdadeira reforma estrutural”, comentou ao Sem Censura uma fonte ligada ao sector da comunicação social, que pediu anonimato.
No mesmo pacote de decisões presidenciais, João Lourenço nomeou Telmo Renato dos Santos Silveira para o cargo de Administrador Executivo para a Área de Marketing e Intercâmbio, bem como Pedro António Manuel como Administrador não Executivo.
Uma fonte da Presidência da República sustenta que as alterações visam “reforçar a eficácia da gestão e alinhar a RNA com os desafios actuais da comunicação pública”.
Contudo, analistas ouvidos por este jornal consideram que as mudanças não atacam os problemas de fundo da RNA, como a falta de autonomia editorial, a excessiva dependência do poder político e as recorrentes queixas internas sobre condições de trabalho.
A Radiodifusão Nacional de Angola, enquanto principal estação radiofónica pública do país, continua a ser alvo de críticas por funcionar mais como instrumento de propaganda governamental do que como serviço público plural e independente, num contexto em que a liberdade de imprensa permanece um dos temas sensíveis da agenda nacional.