Dirigentes da ANATA poderão passar o fim de ano em liberdade após diligências judiciais

O presidente e o vice-presidente da Associação Nacional dos Taxistas de Angola (ANATA) poderão passar a passagem de ano no seio familiar, na sequência das diligências realizadas pelos seus advogados junto das autoridades judiciárias, que terão concluído não existirem fundamentos legais suficientes para a manutenção da prisão dos dois dirigentes.

Segundo uma fonte ligada à ANATA, “ficou provado que os dois dirigentes não cometeram os crimes de que vinham sendo acusados, razão pela qual não se justifica a sua permanência em regime de detenção”.

A mesma fonte adiantou ainda que, após o regresso de ambos à associação, está prevista a realização de uma assembleia-geral com o objectivo de “limar algumas arestas internas e evitar danos maiores”, semelhantes aos registados anteriormente no seio da organização.

Recorde-se que as autoridades angolanas detiveram, no mês de Agosto, o presidente da ANATA, Francisco Paciente, e o vice-presidente, Rodrigo Luciano Catimba, no âmbito de investigações conduzidas pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC). Os dois dirigentes foram suspeitos de envolvimento em crimes como associação criminosa, incitação à violência, rebelião, terrorismo e atentado à segurança dos transportes.

ANATA
Vice-presidente da ANATA Rodrigo Catimba

Rodrigo Catimba foi detido em Benguela, em cumprimento de um mandado emitido pelo Ministério Público, após, segundo as autoridades, existirem fortes indícios de que teria incitado publicamente a população à prática de actos de vandalismo e rebelião, através de um pronunciamento divulgado nas redes sociais.

Em reacção à detenção do seu vice-presidente, Francisco Paciente rejeitou as acusações, afirmando que a ANATA não organizou a greve que resultou em tumultos. “Os distúrbios foram provocados por pessoas estranhas à associação, que agiram por conta própria”, declarou, criticando ainda a divulgação de informações que considerou falsas.

Duas semanas depois, a 9 de Agosto, Francisco Paciente foi igualmente detido em Luanda, no âmbito das mesmas investigações do SIC. De acordo com uma nota oficial, pesam sobre o dirigente fortes indícios de envolvimento na promoção de actos de vandalismo e arruaça contra bens públicos e privados, bem como crimes de incitação à violência, associação criminosa, atentado à segurança dos transportes e terrorismo.

O SIC esclareceu que os mandados de detenção foram emitidos em cooperação com o Ministério Público e que, cumpridas as formalidades legais, os arguidos seriam apresentados às autoridades judiciais para os trâmites subsequentes, enquanto as investigações continuavam.

As detenções ocorreram num contexto de crescente preocupação com a instabilidade social no país. Segundo as autoridades, as acções visaram responsabilizar dirigentes que, alegadamente, terão fomentado tumultos e desordem pública. O caso continua a ser acompanhado pela sociedade civil, enquanto os processos judiciais seguem os seus trâmites legais.

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