Novos dados avançados por fontes próximas da família e amigos da cantora gospel Rodrina Pedro, conhecida artisticamente por Irmã Rodé, indicam que alegadas dificuldades no seio familiar poderão ter influenciado o seu suposto envolvimento numa rede de intermediação comercial, na qual é acusada de participação numa burla avaliada em mais de nove milhões de kwanzas.
De acordo com as referidas fontes, um alegado comportamento inadequado e o controlo de bens alimentares no ambiente conjugal terão contribuído para um quadro de fragilidade emocional e financeira da artista. Testemunhas, entre vizinhos e familiares, afirmam que Rodé não dispunha de apoio moral nem financeiro por parte do esposo, Armindo Paulo, efectivo do Serviço Penitenciário destacado na cidade do Cuito, província do Bié.
“Às vezes, ele dizia que a comida tinha terminado e que ninguém iria comer porque guardaria tudo”, relatou uma vizinha, descrevendo o que considera ter sido um ambiente de tensão constante no lar.
Segundo os relatos, em diversas ocasiões, o marido transportava na sua viatura sacos de arroz, óleo alimentar e outros produtos essenciais, deixando a cantora em situação considerada humilhante. “Ele também, algumas vezes, deixava a esposa a andar de táxi, mesmo tendo viatura própria. Era muito sofrimento que ela enfrentava na relação”, sustentou outra vizinha.
Uma das fontes acrescentou ainda que o esposo proferia palavras que classificou como ofensivas: “Vai procurar o dinheiro alheio; se quiseres morrer, estás à vontade”.
As mesmas fontes defendem que este contexto poderá ter funcionado como incentivo para que a artista procurasse alternativas de rendimento, acabando por se envolver na alegada rede de intermediação comercial, actualmente sob investigação das autoridades competentes.
“Nós ouvíamos sempre discussões. Parecia que não eram felizes; ela não vivia em paz”, lamentou outra fonte ligada à família.
Entretanto, surgem também questionamentos em torno das circunstâncias da morte da cantora. Segundo informações recolhidas no local onde foram encontrados os restos mortais, teriam sido vistas duas seringas nas proximidades, facto que levanta suspeitas e carece de esclarecimento oficial.
Alguns familiares e amigos questionam igualmente determinados procedimentos. “Se deixou o telemóvel em casa, com que número enviou mensagem ao esposo para cuidar das crianças? E por que razão o marido não acompanhou o funeral até ao cemitério?”, indagaram.
No momento do reconhecimento do corpo, segundo relatos, o esposo terá alegado não ter a certeza de que se tratava da própria esposa, facto que também está a ser analisado no âmbito das investigações.
Rodrina Pedro deixou três filhos. A artista era membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia da Esmirna, localizada na cidade do Cuito, província do Bié.
As autoridades continuam a trabalhar para o esclarecimento dos factos e apelam à responsabilidade na divulgação de informações, sublinhando que o processo decorre nos trâmites legais.
Os restos mortais de Rodrina Pedro foram sepultados no domingo, 1 de Março, no Cemitério do Chissindo, no município do Cuito, província do Bié.