
Mais de 400 camiões de Angola estão retidos há mais de quinze dias na República Democrática do Congo (RDC), impedidos de atravessar a fronteira até a província de Cabinda. Os preços dos produtos já disparam nos mercados.
Fonte: DW
Mais de 400 camiões angolanos de transporte de carga estão retidos na República Democrática do Congo (RDC) há mais de quinze dias. Foram impedidos pelas autoridades congolesas de atravessar a fronteira rumo à província angolana de Cabinda.
Relatos que chegam de camionistas angolanos falam em maltratos.
“Até a esta altura os camiões continuam na RDC e a situação está a causar vários constrangimentos, já que estamos a falar em mais de 15 dias”, confirma o presidente da Associação dos Transportadores Rodoviários de Mercadorias de Angola (ATROMA), António Gavião Neto.
A circulação dos transportadores no corredor logístico Luanda-Luvo-Noqui tem sido motivo de discórdia tendo como pano de fundo as taxas aduaneiras cobradas pelo dois países.
No início do ano, a ATROMA anunciou que Angola passaria a cobrara mesma taxa aduaneira aplicada pela RDC. Os camiões angolanos pagam 4.000 dólares (cerca de 3.734 euros) no posto aduaneiro do país vizinho.
Violação de acordo?
À DW, António Gavião Neto acusa a República Democrática do Congo de estar a violar o acordo assinado entre os dois países.
“Angola e a RDC assinaram este ano um acordo, com prazo de implementação de dois anos, paraharmonizar as taxas aduaneiras. Entretanto, parece que este acordo não está a ser considerado pela parte congolesa”, lamentou.
Segundo o presidente da ATROMA, esta quinta-feira (03.10) uma delegação angolana deverá deslocar-se à fronteira “para aferir o estado dos camiões e dos camionistas” que estão retidos.
No entanto, alguns camionistas não descartam que a atual situação seja uma resposta ao crescente controlo na fronteira, por parte de Angola, sobretudo no que toca ao combustível.
“Isto deve ser devido, em parte, à vistoria dos caminhões pesados congoleses para combater o tráfico, especialmente de combustível, uma vez que a situação estava a sair de controlo”, desabafou João António.
Aumento dos preços dos produtos
Dos camiões retidos, 24 pertencem à província de Cabinda. A situação está afetar diretamente aos preços dos principais produtos no enclave, que começam a disparar nos mercados.
“Um quilo de feijão, por exemplo, que comprávamos a mil kwanzas (1,10 euros) já está a custar dois mil e quinhentos kwanzas (2,50 euros). Está demais. Onde vamos parar?” questiona Josefina, dona de casa.
Também Anderson Maimona, empresário em Cabinda, conta à DW que a situação está a trazer prejuízos financeiros e perda incalculável de mercadorias alimentícias e medicamentos.
“Tivemos a informação de que os nossos camiões estão a ser sabotados na RDC, porque dizem que há uma manifestação entre o Governo congolês e os camionistas daquele território do país.”
O Ministro das Relações Exteriores de Angola, Tete António, convocou Kalala Mayiba Constantin, Embaixador da República Democrática do Congo acreditado no país para manifestar o desagrado pelo tratamento que sido aos camionistas angolanos na RDC, bem como a posição unilateral das autoridades congolesas sobre a proibição da circulação dos camionistas angolanos pelo território congolês com destino á província de Cabinda.