O Bloco Democrático (BD) apelou, esta quinta-feira, à construção de uma verdadeira reconciliação nacional, assente na verdade histórica, na vontade política e em princípios éticos e morais.
Fonte: Sem Censura TV

A posição foi expressa durante o Congresso Nacional sobre Reconciliação, em Luanda, num documento que faz uma leitura crítica dos 50 anos de independência de Angola e das suas consequências políticas e sociais.
“A reconciliação não é um mero conceito; é a base sobre a qual construiremos um país mais justo, inclusivo e próspero”, sublinha o texto, que apela à coragem e responsabilidade coletiva para enfrentar “as feridas ainda abertas do passado”.
O partido liderado por Filomeno Vieira Lopes considera que o país atravessa um momento decisivo e que a paz verdadeira só será alcançada quando houver reconhecimento dos erros históricos, justiça efetiva e inclusão política real.
“Não podemos construir uma casa sólida sobre alicerces de mentira ou omissão”, refere o documento, defendendo que “cada líder, instituição e cidadão deve ter a coragem de confrontar o passado e assumir compromissos claros com a verdade”.
Críticas ao modelo político
O Bloco Democrático aponta que, apesar do multipartidarismo formal, Angola mantém uma estrutura política monolítica, com instituições frágeis e pouco independentes. O texto recorda que, desde a independência, “todas as eleições foram marcadas por controvérsia e contestação”, o que, segundo o partido, revela “a fragilidade dos mecanismos de legitimação democrática”.
“A ausência de transparência e a falta de confiança nas instituições eleitorais alimentaram o descontentamento popular e criaram um ambiente de pré-guerra”, denuncia o documento.
Propostas para uma reconciliação genuína
Entre as medidas apresentadas, o BD propõe:
A criação de observatórios nacionais para monitorar justiça, comunicação social, direitos humanos e controle eleitoral;
A reforma das instituições para garantir independência e republicanismo dos órgãos judiciais e de defesa;
O apoio à comunicação social livre e plural, como “um dos requisitos mais importantes da reconciliação nacional”;
E a promoção de congressos nacionais plurais, com participação da sociedade civil e da diáspora.
“A reconciliação exige respeito pela diversidade de opiniões, origens e trajetórias. A paz constrói-se com palavras que unem, não com discursos que dividem”, realça o documento.
Chamamento à liderança nacional
O partido defende ainda que o Presidente da República deve assumir “uma magistratura de influência republicana e símbolo de unidade nacional”, garantindo a exequibilidade dos pilares da reconciliação.
“O posicionamento do Presidente deve pautar-se pela imparcialidade e pelo compromisso com o Estado de Direito”, lê-se na conclusão.
O Bloco Democrático encerra o texto reafirmando que a reconciliação nacional é um processo longo e complexo, que só será possível com justiça social, inclusão e respeito pelos direitos fundamentais.
“Só através da construção coletiva de novos pilares fundadores baseados na verdade histórica, vontade política e princípios éticos e morais poderemos superar as feridas do passado e edificar uma sociedade democrática e inclusiva”, conclui o documento.