Antes de chamar os homens pelo nome, chamei Deus pelo silêncio.
Porque há dores que não cabem em conversas, apenas em orações.
Inclinei o coração e pedi ao Criador do universo que recolhesse os órfãos no colo, que cobrisse as viúvas e os viúvos com o manto da esperança e que olhasse, com misericórdia, para as famílias vulneráveis inclusive aquelas que, por falta de luz, ferem os seus próprios laços de sangue.
Pedi-Lhe que elevasse as nossas mentes acima do pó do mundo e que enviasse anjos — serafins e querubins a sussurrar caminhos, mesmo que fosse no território frágil dos sonhos, porque a Terra anda inquieta e os corações, fatigados.
As palavras eram muitas, mas Deus entende o que a voz não alcança. Entreguei tudo. E disse apenas: amém.
Depois, voltei à superfície da vida.
Atendi chamadas, fiz ligações, ouvi relatos. E doeu-me saber da travessia difícil da primogénita de Artur Sangolo Joaquim.

Num vídeo, um jovem desenhava a memória do pai: um homem de mãos abertas, de bom senso, que nunca negou ajuda a amigos, parentes ou colegas. Um homem que plantou gestos sem perguntar pela colheita.
Concordei. Mas uma pergunta ecoou como sino em dia nublado:
onde estão agora aqueles que receberam o pão?
Podem vir. Ainda podem.
E virão.
Porque decidimos abrir portas, endireitar caminhos, devolver à filha o direito de sonhar e de estudar. Talvez ela ainda não conheça toda a epopeia do pai esse homem que, para nós, foi mais do que nome: foi irmão, foi amigo, foi abrigo.
Creio num Deus que não abandona, sobretudo quando a luta é grande e silenciosa. Um Deus que age devagar, mas nunca falha, e que costuma usar mãos humanas para fazer milagres discretos.
Acredita: vais vencer.
Porque eu, tu, ele, eles e nós formaremos um só gesto de ajuda.
E esse gesto terá nome, terá fé
e será feito em nome de Jesus.
Por: Horibio Fernando Henjengo