Uma cidadã identificada como Julieta Alberto Jimbinza, de 60 anos, acusa a Administração Municipal de Calumbo e supostos invasores de se apoderarem de um terreno de 16 hectares, localizado na zona do Kikuxi II, município do Calumbo, província de Icolo e Bengo.
Segundo a denunciante, residente na área desde 1975, o espaço em causa resulta de acordos estabelecidos com Mateus Bento Francisco, proprietário da empresa M.F Construtora, e com o seu sócio, Vasco Miranda Paím. “Sou moradora aqui há décadas e este terreno é fruto de entendimentos legais que fiz com os referidos empresários”, afirmou.
De acordo com informações recolhidas, na manhã desta sexta-feira, um grupo de indivíduos, alegadamente invasores, ocupou parte do terreno, erguendo construções precárias com chapas de zinco, sem o consentimento da suposta proprietária. Em reação, a Polícia Nacional, destacada no Zango 1, foi acionada e procedeu à detenção dos empresários envolvidos.
Fontes ligadas ao caso indicam que a ação policial terá ocorrido “sob orientação da Administração Municipal de Calumbo”, facto que reforça as acusações da denunciante. “Fui surpreendida com a ocupação e, em vez de protegerem os meus direitos, estão a agir contra mim”, lamentou Julieta Jimbinza.
Em resposta, a Administração Municipal de Calumbo afirma desconhecer a situação. Em declarações, uma fonte institucional garantiu que “não há, até ao momento, informações oficiais sobre o caso”, assegurando, no entanto, que “uma posição será tomada oportunamente após a devida averiguação dos factos”.
Este não é o primeiro episódio de disputa de terras naquela localidade. Segundo relatos, Julieta Alberto Jimbinza já terá sido alvo de perseguições anteriores relacionadas com o mesmo terreno, tendo inclusive decidido guardar o documento original de posse junto de familiares, por receio de extravio ou usurpação.
Entretanto, surgem também referências à empresa 3S como uma das entidades associadas à movimentação no local, embora sem esclarecimentos oficiais sobre o seu envolvimento.
O caso continua a gerar tensão entre as partes, enquanto se aguarda por um posicionamento mais detalhado das autoridades competentes.