O cidadão Gregório Vitorino Satchihama acusou o director da Fiscalização do Sequele, Wilson Morais, de ter ordenado, no sábado 20, a demolição da sua residência, localizada no bairro Vila Verde Cativa.
O antigo presidente da Comissão de Moradores do referido bairro afirma que a alegada demolição ocorreu sem qualquer aviso prévio e considera que a acção poderá manchar o bom nome da Administração Municipal do Sequele e de outros colaboradores da instituição.
“O director da Fiscalização, a Polícia Nacional local e o director do gabinete do administrador são cúmplices e estão envolvidos na destruição da minha residência”, denunciou.
Satchihama acrescentou que foi informado sobre uma suposta presença das Forças Armadas Angolanas no local, mas esclareceu que os efectivos militares não chegaram a participar na operação. Segundo disse, apenas o chefe da Fiscalização e outros responsáveis da Administração estiveram presentes.
Questionado sobre a legalidade da ocupação do espaço, respondeu que possui toda a documentação necessária, faltando apenas a licença de construção e de vedação. O morador acusa ainda os serviços de Fiscalização de não emitirem o referido documento, apesar de já ter formalizado o pedido.
“Já solicitei a licença de construção, mas até ao momento não me foi entregue qualquer resposta. Não entendo as razões”, lamentou.
Por sua vez, Victor de Carvalho, mais conhecido por “Fala Angola”, também manifestou descontentamento com a situação, repudiando a actuação dos agentes da Fiscalização, em particular do seu responsável. Segundo afirmou, não é a primeira vez que enfrenta problemas semelhantes, recordando que, em 2021, algumas das suas residências foram igualmente demolidas.
“Já fui baleado pela Polícia por causa deste espaço. Levámos o caso ao tribunal, onde litigámos com militares. A empresa privada de segurança acabou por desistir. Queremos apenas que a Administração nos mostre onde estamos a falhar”, declarou.
Contactado para prestar esclarecimentos, o director do Gabinete do Administrador Municipal do Sequele, Domingos Lucunde, afirmou desconhecer o assunto, admitindo, no entanto, que o caso possa estar relacionado com ocupações ilegais de terrenos.
“Não domino o assunto e desconheço esta situação”, disse.
Em reacção às acusações, o director da Fiscalização do Sequele, Wilson Morais, afirmou tratar-se de um grupo de pessoas já identificado pelas autoridades por alegadamente ocupar terrenos sem apresentar documentação considerada válida.
“São pessoas que já conhecemos e que identificamos como invasores. Quando não apresentam documentos credíveis, acabam por adoptar este tipo de comportamento”, concluiu.