O presidente da empresa Konda Marta, Daniel Neto, voltou a criticar a postura da Administração Municipal da Camama, acusando-a de ter orientado, pela segunda vez, a demolição de um muro com aproximadamente 300 metros de comprimento.
Durante uma conferência de imprensa realizada nesta terça-feira, 19, Daniel Neto lamentou o comportamento das autoridades administrativas, acusando alguns responsáveis de envolvimento em actos de corrupção e práticas criminosas.
“Como já vos tenho dito, com este partido podem surgir mais de 50 presidentes, mas nada vai mudar na vida dos angolanos. Já viu um cidadão militar, que deveria defender a soberania nacional, a defender verdadeiramente a população? Como alguém disse um dia, tudo é para eles e não gostam dos angolanos”, afirmou.
O empresário recordou ainda que, recentemente, o administrador municipal adjunto para a área técnica havia sido confrontado por jornalistas sobre o caso, tendo negado qualquer envolvimento. No entanto, Daniel Neto considera que os acontecimentos demonstram o contrário.
“Os objectivos actuais de muitos administradores são localizar terrenos para se apropriarem dos mesmos, tal como acontece em Cacuaco, Belas, Viana e em vários outros municípios, onde existem constantes problemas de usurpação de terras”, denunciou.
TC Neto, como também é conhecido, acusou igualmente os responsáveis administrativos da Camama de actuarem com recurso à força policial. Segundo relatou, antes da demolição, agentes da Polícia Nacional efectuaram disparos e lançaram gás lacrimogéneo para dispersar a população que se encontrava revoltada, mesmo depois de o assessor jurídico da empresa Konda Marta ter apresentado toda a documentação considerada legalmente válida.
“Nós temos uma acção principal em tribunal, com fiel depositário, que orienta qualquer interessado na aquisição de espaços nesta zona a consultar o tribunal e não a recorrer à força e à violência, como se viu neste caso envolvendo um cidadão identificado por Piloto ou Serafim de Prata”, declarou.
Daniel Neto alegou ainda que a Administração Municipal da Camama justificou a demolição com a suposta inexistência de licença de vedação do espaço, argumento que rejeita categoricamente.
“Estas informações não correspondem à verdade. O mesmo muro já foi demolido mais de duas vezes. Solicitámos várias vezes a regularização do processo, chegámos ao ponto de efectuar pagamentos no cofre do Estado e ainda entregámos cerca de três milhões de kwanzas, em mãos, a alguns agentes de fiscalização da Administração da Camama”, desabafou.
Por sua vez, o inspector-geral da empresa Konda Marta, Augusto Kiala, descreveu os momentos de tensão vividos no dia da demolição do muro, erguido ao longo de quatro dias, antes do lançamento oficial da primeira pedra para a construção de mais de 1000 residências no denominado Complexo Residencial TC Neto.
“Os fiscais chegaram ao local e exigiram os documentos. Nós apresentámos toda a documentação, mas eles ignoraram e iniciaram imediatamente a demolição. Um dos operadores da máquina chegou mesmo a afirmar que a acção estava a ser executada com o apoio da Polícia Nacional”, concluiu.