Liceu do Bié envolvido em denúncias de má gestão e alegadas violações de direitos

O Liceu n.º 292, conhecido como “4.ª Divisão”, na província do Bié, está no centro de denúncias consideradas graves, envolvendo alegadas práticas de má gestão, abuso de poder e violação de direitos no seio da instituição.

As acusações recaem sobre o diretor da escola, Osvaldo Mondombe, também conhecido por “Dom Vox”, que, segundo fontes da comunidade escolar, terá afirmado manter relações de proximidade com altas figuras da governação provincial, incluindo o diretor do Gabinete Provincial da Educação e a governadora do Bié. De acordo com os mesmos relatos, essa proximidade “lhe garantiria permanência no cargo, independentemente das denúncias”.

Segundo informações recolhidas junto de membros da comunidade educativa, alguns estudantes estariam a ser retirados das salas de aula por motivos considerados discriminatórios, como o uso de cabelo postiço ou a recusa em participar em práticas religiosas. “Há alunos que são impedidos de assistir às aulas por não seguirem determinadas orientações religiosas”, relatou uma fonte, que pediu anonimato.

As denúncias apontam ainda que certos estudantes terão sido encaminhados à Igreja Universal do Reino de Deus, situação que levanta preocupações quanto ao respeito pela liberdade religiosa e ao princípio do carácter laico do ensino público. “A escola não pode impor práticas religiosas aos alunos”, acrescentou outra fonte.

No domínio pedagógico, surgem igualmente alegações de irregularidades no processo de avaliação. Alguns estudantes estariam a beneficiar de tratamento privilegiado, realizando provas em espaços reservados aos professores. “Há alunos que fazem testes fora das salas normais para melhorar as notas”, afirmou um membro da comunidade escolar.

Em contrapartida, outros estudantes alegadamente enfrentam penalizações, incluindo afastamento das atividades escolares, por não contribuírem financeiramente ou por não aderirem a determinadas práticas religiosas.

O ambiente interno da instituição é descrito como tenso e instável. Desde a entrada do atual diretor, registam-se conflitos recorrentes que terão resultado no afastamento de vários membros da equipa de direção. Fontes indicam ainda que o atual subdiretor pedagógico pondera abandonar o cargo devido a alegadas situações de desrespeito institucional. “O clima de trabalho tornou-se insustentável”, referiu uma das fontes.

Outro elemento que agrava o quadro prende-se com declarações atribuídas ao diretor, nas quais afirmaria não temer eventuais sanções administrativas devido à sua proximidade com Amado Leonardo André, responsável pelo Gabinete Provincial da Educação do Bié. “Ele diz abertamente que ninguém o pode tirar do cargo”, afirmou uma fonte.

As denúncias incluem ainda alegações sobre o aumento de casos de assédio no ambiente escolar, o que, a confirmar-se, representa uma grave violação dos princípios éticos e legais que regem o sistema educativo.

Até ao momento, não há qualquer posicionamento oficial por parte da direção da escola nem das autoridades provinciais da educação. Perante a gravidade das acusações, a comunidade escolar apela a uma intervenção urgente das entidades competentes para o apuramento dos factos. “Queremos que a situação seja investigada e que se faça justiça”, concluiu uma fonte.

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