A UNITA assinalou esta quinta-feira, 13 de Março, o seu 60.º aniversário com uma declaração política em que reafirma o compromisso com a democracia, a alternância do poder e o desenvolvimento de Angola. A mensagem foi divulgada pelo Secretariado Executivo do Comité Permanente da Comissão Política do partido, durante as celebrações realizadas no histórico local de Muangai.
Na declaração, a organização política prestou homenagem ao seu fundador, Jonas Malheiro Savimbi, e aos nacionalistas que participaram na fundação do movimento em 1966.
“O Secretariado Executivo do Comité Permanente da Comissão Política da UNITA rende a mais profunda homenagem ao Presidente fundador, Dr. Jonas Malheiro Savimbi, aos conjurados de Muangai e a todos os nacionalistas que deram as suas vidas pela Pátria angolana”, refere o documento.
De acordo com o partido, a efeméride representa um momento de reflexão sobre o percurso histórico da organização e de reafirmação dos princípios que orientam a sua acção política. “Reafirmamos o compromisso de transformar memória em responsabilidade e responsabilidade em acção concreta, em prol da democracia, da unidade nacional e da dignidade do povo angolano”, sublinha a declaração.
O documento recorda que a UNITA nasceu em Muangai, local considerado simbólico na história do partido, onde, segundo a direcção, foram lançadas as bases de um projecto político assente na unidade nacional e na defesa da cidadania.
“A UNITA é uma união de povos, aspirações e culturas, um projecto político para actuar sob o signo da unidade do território, do Estado e de propósito”, destaca o comunicado.
Na mensagem alusiva aos 60 anos da organização, o partido também evocou várias figuras históricas que participaram na luta pela independência de Angola, destacando igualmente líderes de outros movimentos de libertação, como Holden Roberto e Agostinho Neto, cujas organizações, juntamente com a UNITA, estiveram envolvidas no processo que conduziu à independência do país.
Segundo a direcção da UNITA, apesar de Angola ter alcançado a independência em 1975 e viver em paz há mais de duas décadas, persistem vários problemas sociais e económicos.
“Em 50 anos de independência e 24 de paz, os angolanos esperavam um país reconciliado e desenvolvido. Contudo, continuam a prevalecer a pobreza, a fome, a falta de medicamentos nos hospitais, o desemprego juvenil e o elevado custo da cesta básica”, lê-se no documento.
O partido considera que estes factores têm contribuído para o aumento do descontentamento social e para as manifestações populares que exigem mudanças políticas no país.
No mesmo comunicado, a UNITA reafirmou o objectivo de conquistar o poder nas eleições gerais previstas para 2027. “A UNITA continua a ser a esperança de muitos angolanos e está comprometida em garantir a alternância democrática em 2027, no respeito pela vontade do povo”, afirma.
A organização destacou igualmente o chamado Pacto de Estabilidade Democrática, proposto pelo líder do partido, Adalberto Costa Júnior, que, segundo a direcção, visa assegurar uma transição política pacífica.
“O pacto é uma oportunidade para que angolanos de diferentes sensibilidades políticas e sociais possam construir uma alternância sem receios e sem ressentimentos”, refere a nota.
Na mesma declaração, o Secretariado Executivo defendeu ainda a implementação urgente das autarquias locais, considerando que a descentralização político-administrativa é essencial para o desenvolvimento sustentável do país.
A direcção do partido apelou também ao Executivo angolano para concluir o processo de reinserção social e atribuição de pensões aos antigos combatentes das forças envolvidas na guerra civil, nomeadamente das FALA, FAPLA, ELNA e FLEC.
As celebrações do 60.º aniversário da UNITA ficaram igualmente marcadas por mensagens de apoio ao líder do partido e por felicitações às mulheres angolanas no mês dedicado à sua luta pela igualdade e emancipação.