O jornalista angolano e director-geral da TV Nzinga foi novamente intimado a comparecer no Serviço de Investigação Criminal (SIC) para prestar declarações sobre uma reportagem que denunciava o alegado consumo de água não tratada por moradores dos bairros Uíge e Sonangol, no município do Hoji-ya-Henda, em Luanda.
A publicação, divulgada nas redes sociais do órgão de comunicação, terá motivado o administrador municipal do Hoji-ya-Henda, José Bastos de Oliveira, a interpor um processo-crime contra o responsável da TV Nzinga.
Segundo relatos de moradores das referidas localidades, a população vive há mais de quatro anos em condições precárias de saneamento básico, sendo obrigada a recorrer a água retirada de buracos abertos no solo para consumo diário.
“Não queremos saber deste administrador que não conhece o seu papel como gestor público. Estamos em pleno século XXI a beber água de cacimba. Será que o administrador também bebe esse tipo de água?”, questionaram alguns moradores, manifestando indignação face à situação.
Entretanto, jornalistas de órgãos de comunicação públicos e privados manifestaram preocupação com o processo instaurado contra o profissional da TV Nzinga, considerando que a iniciativa pode representar uma tentativa de intimidação ao exercício do jornalismo.
“Em Angola, muitas vezes quem denuncia problemas que afectam directamente a população acaba por enfrentar processos e pressões. O jornalista apenas cumpriu o seu papel de informar”, referiu um profissional da classe que preferiu não se identificar.
Por sua vez, membros da sociedade civil consideram que a acção do administrador municipal pode configurar abuso de poder e um atentado à liberdade de imprensa, sublinhando que a função do jornalista inclui fiscalizar a gestão pública e denunciar eventuais irregularidades.
“Silenciar o jornalismo não resolve os problemas da população. Pelo contrário, a imprensa livre é fundamental para chamar atenção às dificuldades vividas nas comunidades”, defenderam.
Até ao momento, o Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA), a Entidade Reguladora da Comunicação Social Angolana (ERCA) e outras instituições ligadas ao sector ainda não se pronunciaram oficialmente sobre o caso.