Quem é, de facto, jornalista?-Arão Cavile

Sem desvalorizar o potencial dos profissionais que alegadamente terão sido vítimas de maus-tratos por parte do Partido Liberal, é importante analisar a situação com equilíbrio, responsabilidade e isenção.

Há que questionar se todos os intervenientes estavam devidamente credenciados e preparados para o exercício da actividade jornalística. O debate não deve limitar-se à denúncia dos factos, mas também à verificação das condições em que esses profissionais actuavam.

Observa-se, por exemplo, que jornalistas da TV Zimbo presentes no mesmo contexto terão sido tratados de forma diferente, o que levanta a necessidade de uma reflexão mais profunda e imparcial sobre os acontecimentos.

Importa igualmente perguntar: quem é, de facto, jornalista? O exercício do jornalismo não se resume a segurar um microfone ou a transportar equipamentos, muito menos a expor-se a situações de risco sem a devida preparação. Como se afirma frequentemente nos meios académicos, “o jornalismo exige formação, ética, responsabilidade e credenciação reconhecida pelas entidades competentes”.

Nota-se, actualmente, uma espécie de “febre” em várias partes do país: muitos acreditam que basta pegar num fio e num microfone para se assumir jornalista. Contudo, é fundamental distinguir entre jornalistas profissionais e trabalhadores ocasionais de um kónica ou de um estúdio de fotografia.

Não confundamos jornalismo com improviso. Defender a classe é, acima de tudo, defender critérios, rigor e profissionalismo. Como bem se pode resumir: “valorizar a profissão implica preservar os seus princípios”.

= A NOTÍCIA COMO ELA É =

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