O jornalista da Televisão Pública de Angola (TPA), Cândido Kalombe, reagiu publicamente à circulação de um vídeo nas redes sociais que mostra três profissionais de órgãos digitais expostos à chuva, após o término de uma actividade política do Partido Liberal, na cidade do Cuito, província do Bié.
No vídeo, amplamente partilhado, os jornalistas aparecem em condições consideradas inadequadas, o que gerou debate sobre a responsabilidade das organizações políticas no tratamento dado à imprensa, bem como sobre a postura dos próprios profissionais.
Na sua conta oficial do Facebook, o também pivot do programa “Ecos e Factos” utilizou a chamada “teoria da galinha” para ilustrar o que considera ser o nível de responsabilidade exigido a um jornalista em situações adversas.
“Um profissional que se preze não deixa o seu equipamento ser afectado pela chuva, salvo em condições incomuns. O jornalista que, de forma leviana, deixa que isto aconteça deve ser punido com severidade pelo órgão”, escreveu.
“Brincadeira de mau gosto… A teoria da galinha que protege os pintos e ela molhar-se aplica-se a um profissional de comunicação social”, acrescentou.
As declarações suscitaram reacções diversas nas redes sociais, com alguns internautas a concordarem com a necessidade de maior zelo profissional, enquanto outros defenderam melhores condições logísticas por parte da organização promotora do evento.
Perante a polémica, o presidente do Partido Liberal, Luís de Castro, emitiu um comunicado no qual reconhece as falhas e apresenta um pedido público de desculpas aos jornalistas afectados pertencentes aos órgãos Elite Post e TV Quadrante.
“Tomei conhecimento, com profunda dor, indignação e preocupação, do ocorrido hoje na província do Bié, envolvendo os jornalistas dos órgãos Elite Post e TV Quadrante. Nada, absolutamente nada, justifica o descuido e a falha de conduta demonstrados pela nossa equipa para com profissionais da comunicação social que exercem uma função essencial numa sociedade democrática”, refere o comunicado.
O dirigente assumiu “integralmente a responsabilidade política e moral pelo sucedido”, sublinhando que a comunicação social é “parceira indispensável na construção de uma sociedade informada, plural e consciente”.
“Em meu nome pessoal e em nome do partido que dirijo, apresento um pedido público de desculpas aos jornalistas visados, às direcções dos referidos órgãos e à classe jornalística em geral. Reconhecer o erro é um dever ético; corrigi-lo é uma exigência de coerência e de maturidade política.”
Luís de Castro garantiu ainda que serão adoptadas medidas concretas para reforçar os mecanismos internos de organização e relacionamento com a imprensa, com vista a evitar a repetição de situações semelhantes.
O caso reacende o debate sobre as condições de trabalho dos profissionais de comunicação social em coberturas políticas e a responsabilidade partilhada entre jornalistas e promotores de eventos na salvaguarda da dignidade e do exercício profissional.