Longe de mim em responder os políticos, por fazerem o seu papel de promoverem as suas ideias com fins único o poder que é servir o povo. Mas a esta senhora “SAPALALO” deu-me realmente prazer em lhe responder.
Fonte: Dinis Serrote
Espero que não me rotulem como tem sido hábito, quando se critica são dos serviços, ou do gabinete de acção psicológica. Sou cidadão e acompanho a dinâmica da política angolana.
A pessoa que vende carvão se não tiver esperança na pessoa que anda de gravata, então é pra dizer que tudo acabou. Os jovens viam a UNITA como a tábua da salvação, mas a montanha pariu rato.
Deputadazinha. Anabela Sapalalo.
A sua afirmação de que Angola é “o único país do mundo onde um cunanga comenta política nas redes sociais” não foi apenas infeliz — foi politicamente autodestrutiva.
Num mundo onde o debate público se faz, em grande medida, no espaço digital, a deputazinha escolheu atacar exactamente o segmento que mais dinamiza, mobiliza e sustenta a comunicação política contemporânea: a juventude activa nas redes.
Mas há algo ainda mais grave: muitos desses jovens que hoje ridiculariza foram os mesmos que defenderam a bandeira da UNITA, que partilharam conteúdos, que enfrentaram narrativas adversas e que ajudaram a consolidar o capital político que levou vários dirigentes ao Parlamento — inclusive a deputadazinha
Chamar-lhes agora “cunangas” não é apenas desrespeito. É ingratidão política.
Quando um dirigente começa a hostilizar a própria base que o projectou, revela não força, mas fragilidade. Revela incapacidade de lidar com escrutínio. Revela desconforto perante vozes que não se limitam a aplaudir.
A política exige estatura. E estatura mede-se pela capacidade de responder a críticas com argumentos, não com rótulos.
Existe uma percepção crescente nas bases de que a sua actuação tem sido marcada por selectividade, por alinhamentos restritos e por uma visão excessivamente personalizada da comunicação política — seja na proximidade privilegiada com a ACJ, seja na promoção desproporcional de figuras em detrimento da consolidação institucional do partido.
E quando essas questões são levantadas, a resposta não pode ser a tentativa de humilhar quem questiona.
Se comentar política é ser “cunanga”, então a deputadazinha acaba de transformar o pensamento crítico em ofensa. E um dirigente que se sente ameaçado por comentários nas redes sociais demonstra insegurança incompatível com a função que ocupa.
A história política mostra que lideranças que desprezam a juventude acabam isoladas.
Porque a juventude pode ser paciente, mas não é amnésica. Ela regista posturas. Ela avalia coerências. Ela responde nas urnas.
Não é a juventude que se diminui com rótulos. É quem os usa que se apequena.Se o cargo lhe foi conferido pela força de uma base activa e interventiva, seria prudente respeitar essa mesma base. Porque a política não vive de desprezo — vive de legitimidade.
E legitimidade constrói-se todos os dias. Ou perde-se