Os problemas no Instituto Superior Politécnico do Bengo (ISPB) continuam a agravar-se, num cenário marcado por denúncias de arrogância, abuso de poder, má gestão e insegurança, envolvendo a presidente da instituição, Aurora Bambi.
Segundo uma fonte interna do ISPB, que solicitou anonimato por receio de represálias, a presidente tem adoptado uma postura de total desprezo em relação a funcionários e estudantes, alegando estar protegida por figuras de alto nível do Estado. “A presidente afirma repetidamente que conta com o apoio da governadora do Bengo, Maria Nelumba, e do ministro do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, Albano Vicente, o que lhe dá liberdade para agir sem prestar contas”, afirmou a fonte.
De acordo com o mesmo relato, a situação interna deteriorou-se ainda mais depois de Aurora Bambi declarar, em várias ocasiões, que dispõe do apoio directo do ministro, dos seus assessores e de personalidades influentes da província. Ainda segundo a fonte, a presidente e o seu irmão, Mateis Elavoko, terão chegado a afirmar que “a lei em Angola é selectiva” e que nunca seriam penalizados, mesmo perante alegadas irregularidades graves, incluindo o suposto desvio de mais de 38 milhões de kwanzas destinados à investigação científica.
A fonte acrescenta ainda que a comissão de inspecção criada por despacho do ministro do Ensino Superior para averiguar a situação na instituição estaria alinhada com a direcção do ISPB, facto que, no seu entender, reforça um clima de impunidade.
Entre os problemas mais graves denunciados está a falta de transporte para funcionários e estudantes. Dos dois autocarros atribuídos pelo Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, um encontra-se alegadamente privatizado há mais de um ano, sem que a comunidade académica tenha informações sobre o seu paradeiro. O segundo, único ainda disponível, encontra-se actualmente parado por orientação directa da presidente da instituição.
Esta situação tem obrigado estudantes e funcionários a percorrer longas distâncias a pé até ao campus, localizado numa zona isolada e pouco habitada, expondo-os a sérios riscos de segurança. As consequências dessa decisão tornaram-se evidentes na manhã de 7 de Janeiro, quando três estudantes foram assaltados enquanto se deslocavam pela via conhecida como “Corta-Mato”, um atalho utilizado para chegar mais rapidamente à instituição. Os assaltantes, munidos de faca e catana, roubaram telemóveis e outros bens pessoais.
As denúncias revelam um ambiente de medo, insegurança e desrespeito generalizado no Instituto Superior Politécnico do Bengo, onde decisões consideradas arbitrárias e a concentração de poder num núcleo familiar da presidente estariam a tornar-se prática recorrente, em detrimento da segurança, da dignidade e do bem-estar da comunidade académica.