Jornalistas de órgãos de comunicação social públicos e privados denunciam a existência de indivíduos, na província do Bié, que continuam a exercer a actividade jornalística à margem da lei, sem possuir carteira profissional.
A Rádio Cuquema é citada como uma das estações que mais tem violado os princípios éticos da profissão, começando pelo seu diretor-geral, José Manuel, mais conhecido por Samakaka.
“Temos a plena certeza de que ele não possui qualquer documento que o habilite a exercer a função de jornalista, tal como outros três funcionários que trabalham sem autorização da Comissão da Carteira e Ética (CCE)”, revelou uma fonte.
Sobre o assunto, a nossa redacção ouviu um funcionário da CCE, com o objectivo de apurar o número do processo do responsável da referida rádio, porém o nome não foi encontrado na base de dados da instituição.
“Infelizmente, não encontro o nome do suposto colega. Eu e os meus colegas já procurámos, mas sem sucesso. Vamos remeter o processo à presidência, liderada por Luísa Rogério, para que esta situação seja tratada com a seriedade que merece”, avançou.
Segundo as fontes, nos últimos tempos Samakaka tem tentado ingressar na carreira docente, mas, por falta de habilitações superiores, não tem conseguido oportunidades, mesmo após alegadas tentativas de influenciar alguns responsáveis das instituições de ensino.
“O director já conversou comigo várias vezes para lhe arranjar uma vaga na UNIC, no Kangonjo e noutras instituições, para leccionar nos cursos de Comunicação Social, mas não posso fazer nada sem a apresentação de documentos credíveis”, descreveu a fonte.
José Manuel afirma possuir duas licenciaturas, mas, segundo os denunciantes, não existe qualquer prova documental, apesar de estar pela segunda vez no cargo de diretor-geral da Rádio Cuquema.
Recorde-se que a administradora municipal do Cuito, na província do Bié, moveu um processo-crime n.º 2289/25-A contra o diretor e jornalista da Rádio Cuquema, José Manuel, processo que o visado considera ser uma perseguição à liberdade de imprensa, numa altura em que a província enfrenta denúncias de abuso de autoridade.