O exército do Uganda confirmou que mantém sob custódia um padre católico desaparecido há quase duas semanas, acusando-o de estar envolvido em “actividades subversivas violentas”. Num breve comunicado, o exército afirmou que o padre Deusdedit Ssekabira foi detido, está sob “custódia legal” e será levado a julgamento.
A diocese católica da cidade de Masaka tinha declarado anteriormente que o padre Ssekabira foi “raptado por homens com uniformes do Exército do Uganda”. A igreja não respondeu às acusações do exército. Enquanto o Uganda se prepara para realizar eleições no próximo mês, o país enfren- ta um crescente escrutínio por parte de grupos de defesa dos direitos humanos devido a relatos de desaparecimentos forçados e detenções prolongadas sem julgamento.
A Diocese de Masaka alertou para o caso do padre Ssekabira no sábado. Em comunicado, o bispo de Masaka, Serverus Jjumba, disse que o padre foi levado no dia 3 de Dezembro e que o seu desaparecimento foi uma “ferida grave infligida à Diocese de Masaka, a toda a Igreja Católica e à família do padre Ssekabira”.
No domingo, horas antes de os militares confirmarem a detenção do padre Ssekabira, a polícia nacional disse ter tido conhecimento de relatos nas redes sociais sobre o “rapto” do padre. “Estamos a verificar estas alegações e forneceremos uma actualização assim que obtivermos informações suficientes sobre o Reverendo Padre”, dizia a mensagem, publicada na plataforma de redes sociais X.
Em resposta à declaração dos militares sobre o padre, o líder da oposição, Bobi Wine, disse que as forças armadas “não têm o direito de deter civis”. A estrela pop, que se tornou política e que vai enfrentar o presidente Yoweri Museveni nas eleições, alegou que muitos dos seus apoiantes foram raptados pelos militares.
“[É] nisto que Museveni transformou o Uganda”, escreveu Wine, cujo nome verdadeiro é Robert Kyagulanyi, no X.
Em Outubro, dois activistas quenianos de direitos humanos estiveram desaparecidos durante cinco semanas depois de terem sido alegadamente raptados por homens armados enquanto participavam num evento de campanha de Wine. Foram libertados posteriormente.
Museveni reconheceu mais tarde que tinham sido presos, descrevendo-os como “especialistas em tumultos” que foram colocados “no frigorífico durante alguns dias”.
As agências de segurança ugandesas são há muito acusadas de deter políticos e apoiantes da oposição sem o uso de uniforme. Alguns detidos reapareceram posteriormente em tribunal, enfrentando acusações criminais. No ano passado, outra figura da oposição ugandesa, Kizza Besigye, desapareceu misteriosamente em Nairobi, reaparecendo quatro dias depois num tribunal militar do Uganda. Continua preso sob acusações de traição, as quais nega.