Jornalistas de diferentes órgãos de comunicação social manifestaram preocupação com o aumento de casos de extorsão e intimidação praticados por indivíduos e grupos que visam obter vantagens financeiras, em troca de não envolver empresários, políticos, figuras públicas e famílias vulneráveis em alegados escândalos mediáticos.
Fonte: semcensura.ao

De acordo com denúncias recolhidas pelo portal semcensura.ao, o fenómeno tem-se tornado visível em quase todo o território nacional, sendo a cidade de Luanda apontada como o principal centro dessas práticas ilícitas.
Alguns profissionais da imprensa atribuem a situação à falta de fiscalização e de rigor editorial em determinadas redacções, o que tem levado certos jornalistas a enveredarem por comportamentos antiéticos. A proliferação de sites e páginas nas redes sociais é também apontada como uma das principais causas que facilitam esquemas de chantagem e manipulação mediática.
“Alguns meios transformaram-se em verdadeiras redes organizadas, onde jornalistas e até directores de publicações reconhecidas são apontados como protagonistas de chantagens e manipulações com fins financeiros”, revelou uma fonte ao semcensura.ao.
As mesmas fontes referem que várias figuras públicas, entre elas governantes, empresários e presidentes de conselhos de administração, têm sido alvo de exigências ilegais para evitar a divulgação de matérias difamatórias.
“Por medo de exposição ou de danos à reputação, muitos acabam por ceder à pressão e pagar valores avultados”, acrescentou.
O semcensura.ao garante que procurará ouvir os responsáveis da Comissão da Carteira e Ética (CCE), do Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA) e da Entidade Reguladora da Comunicação Social Angolana (ERCA), de modo a recolher esclarecimentos sobre o assunto e eventuais medidas em curso para travar este tipo de práticas.