O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, terá autorizado o desembolso de 14 milhões de kwanzas para o processo de indemnização de jornalistas da Rádio Despertar, no âmbito do redimensionamento do órgão de comunicação social ligado ao partido.
Fonte: Sem Censura TV

De acordo com informações apuradas junto de uma fonte ligada à direcção do partido, o vice-presidente para administração e finanças Simão Dembo, recebeu a orientação directa para autorizar o pagamento, valor ao qual se somaram 14 milhões e mais 7 disponibilizados pela própria estação, perfazendo um total de 21 milhões de kwanzas destinados ao processo.
Segundo a mesma fonte, o advogado da rádio foi igualmente instruído a redigir os documentos de rescisão de contrato, os quais os jornalistas foram compelidos a assinar. “Os papéis tinham uma cláusula intimidadora, deixando claro que quem vazasse informações sobre o processo não receberia a indemnização”, revelou.
A situação teria provocado desconforto entre os profissionais, alguns dos quais já enfrentavam retaliações internas após o tema ter sido divulgado em plataformas digitais de referência no país.
Ainda de acordo com a fonte, o responsável máximo da Rádio Despertar, Crisóstomo Tchipiaka (conhecido como Horácio dos Reis), teria solicitado ao jornalista José Gama, do portal Club-K, que evitasse a publicação de conteúdos considerados prejudiciais à sua imagem e à da estação.
Dentro da UNITA, membros veteranos manifestaram, em conversas reservadas, preocupação com a forma como o caso vem sendo gerido, sublinhando que Tchipiaka mantém forte ligação de confiança com Adalberto Costa Júnior.
Jornalistas da Rádio afirmam ainda viver sob vigilância. “O chefe costuma verificar os nossos telefones para ver com quem mantemos contacto, o que viola a nossa privacidade”, denunciou um profissional sob anonimato.
Os poucos jornalistas que continuam na estação reivindicam também melhorias salariais, argumentando que “não faz sentido continuarmos a ganhar entre 40 e 60 mil kwanzas, mesmo com uma equipa reduzida”, disse outro funcionário.
Segundo fontes internas, Crisóstomo Tchipiaka tem manifestado intenção de tornar a Rádio Despertar um órgão independente, desvinculado de influências partidárias, até ao final do mandato de Adalberto Costa Júnior. “Podem crer, eu serei o chefe desta rádio. O próximo director não será da UNITA”, terá afirmado Horácio dos Reis, segundo relatos recolhidos.
Informações obtidas apontam ainda que António Festos Camunda poderá assumir o cargo de director-geral da Rádio Despertar, tendo como adjunto Kavita Chilala, caso o actual gestor não impeça a sua nomeação.