A paz em Angola é um tema que merece celebração e reflexão.
Depois de quase 30 anos de guerra civil, o país alcançou a paz definitiva em 2002, com a assinatura do Memorando de Entendimento entre o Governo e a UNITA. Mas a paz não nasceu do nada; foi o resultado de um processo sinuoso, marcado por sucessivos acordos, rupturas e tentativas frustradas de reconciliação nacional.
Desde o Acordo de Alvor em 1975 até o Memorando de Entendimento do Luena em 2002, a história da paz em Angola é também a história da sua sobrevivência. A paz trouxe o início da reconstrução, mas também novos desafios: a desmobilização de milhares de ex-combatentes, a reabilitação de infra-estruturas e o combate à pobreza extrema.
A Reconstrução Física
A primeira década de paz (2002-2012) foi marcada por um esforço hercúleo de engenharia e logística que definiu a fisionomia do país atual. A recuperação das estradas nacionais e a reabilitação dos três eixos ferroviários fundamentais permitiram que as famílias se reunissem e que o comércio florescesse. A expansão do sistema de ensino e a descentralização das universidades permitiram que o conhecimento deixasse de ser um privilégio da capital.
A Reconciliação Nacional
Talvez o maior triunfo de Angola não seja o que se pode definir de obra visível, como estradas, barragens ou aeroportos, mas sim a reconciliação das mentes. Angola deu ao mundo um exemplo raro de como encerrar uma guerra-civil sem a necessidade de forças de manutenção de Paz da ONU no terreno após o acordo final. A reconciliação nacional é um processo contínuo que exige vigilância, tolerância e justiça social.
Desafios para o Futuro
Ao celebrarmos 24 anos de paz, é importante reconhecer os desafios que ainda persistem. A desigualdade socioeconômica, o acesso deficitário a serviços básicos e a corrupção são alguns dos obstáculos que precisam ser superados.
A educação e a conscientização são fundamentais para construir uma paz duradoura. A inclusão digital e a quarta revolução industrial também são essenciais para o desenvolvimento do país.
Em resumo, a paz em Angola é um processo contínuo que exige esforço e dedicação de todos. É importante celebrar os avanços alcançados em todos os domínios da vida social; mas também, é fundamental reconhecer os desafios que ainda persistem e trabalhar juntos para superá-los.
Cada um de nós, é um ente activo na salvaguarda e consolidação da paz multidimensional.
Viva a Paz
Isaías Símone (Historiador e Político)